Imagine viajar e não falar com o namorado e amigos pela internet ou telefone. Antigamente, acontecia dessa forma, o que fazia a saudade ser mais presente. Hoje, é possível acessar as pessoas com mais facilidade por causa da tecnologia. "Não que a gente não tenha saudade, mas dá para sentir a presença do outro pela internet", diz a psicóloga Ana Bock.
Por outro lado, estar conectado deixa as pessoas mais impacientes e com maior dificuldade de lidar com a falta, principalmente se a perda for para sempre. Apesar de difíceis, a morte de um parente e o fim de um relacionamento fazem parte da vida e são experiências que ajudam a amadurecer.
"A nossa sociedade tem muito medo do sofrimento porque tem dificuldade de conviver com ele." Segundo a psicóloga, é preciso sempre estar atento para que a dor não seja a única preocupação. "A vida anda e é preciso acompanhá-la com trabalho e estudo, sabendo que agora tem de carregar a saudade junto."
Fernando Wenzel, 18 anos, de São Bernardo, aprendeu a lidar com a falta da mãe, que morreu há três anos. "Superei, mas tenho saudades. Meu pai também está melhor, mas às vezes bate uma solidão que ninguém consegue tirar. De qualquer jeito, a vida continua."