Terra dos charutos
Pensou em charuto, pensou em Cuba certo? Tal associação é mundialmente feita em razão do histórico de produção e exportação da ilha de Fidel Castro. Inclusive, há quem diga que o seu sinônimo é Havana - capital do país e uma das principais marcas do mundo -, uma referência a produtos de alta qualidade. No entanto, engana-se quem pensa que os cubanos são detentores do título de maiores produtores desse artigo de luxo. Tal posto pertence à República Dominicana, que dispõe aos turistas visitas diárias - e gratuitas - às 25 fábricas espalhadas por seu território.
O processo artesanal é o que mais impressiona. Com diferentes tamanhos, graduações e sabores, os charutos movimentam boa parte da economia do país e abastecem o mercado norte-americano, principalmente em razão do embargo do Tio Sam frente aos produtos cubanos. No entanto, a migração de famílias de Cuba nos anos 1970 para a República Dominicana foi fundamental para esta aprimorar e crescer sua produção, que chegou a ser a atividade econômica mais importante do país - hoje está atrás do turismo e das lavouras.
Das mais modestas às mais pomposas, as fábricas têm números que impressionam. A Don Lucas, próxima à Punta Cana, tem 14 funcionários e produz 2.000 charutos diariamente. São mais de 140 por cada colaborador, que chega a fumar até 14 unidades diárias para teste. Já a Tabacalera de Garcia, com seus 4.200 trabalhadores, faz nada mais nada menos do que 1,2 milhão por dia - fato que a torna a maior produtora da especiaria enrolada à mão do planeta.
Depois da produção, os charutos ficam em estufas. O mínimo de tempo que permanecem devidamente climatizados e estocados é de 75 dias, podendo chegar a três anos. "Quanto mais velho, melhor, porque fica com mais aroma, sabor e gosto", diz o gerente da Don Lucas, Carlos Vargas, que tem como maior público comprador o russo.
Na fábrica, o tabaco e a tripa que envolve o charuto são produzidos na própria República Dominicana. Já as folhas, que um dia já foram importadas do Brasil, hoje vêm dos Estados Unidos e da Ilha de Sumatra. Carlos Vargas explica que o consumo do produto está mudando. Antes prevaleciam os mais velhos. Hoje, há maior aceitação entre fumantes de 25 a 40 anos.
Cada uma das fábricas dominicanas tem sua loja logo ao lado. As caixas com quantidades diferentes de charutos variam entre US$ 20 (R$ 35) e US$ 2.000 (R$ 5.530). Dos mais tradicionais, os sabores podem variar entre baunilha, canela, uva, chocolate, morango, menta e outros. Considerada berço do charuto denominado Premium, a República Dominicana faz da arte uma forma de mexer com a economia do país.