Cultura & Lazer Titulo 'O Jogo de Sombras'

Investigação de gato e rato

Sherlock Holmes encontra rival à altura e consegue ser
tão divertido quanto primeiro longa-metragem da série

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC
13/01/2012 | 07:02
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Quem assistiu a 'Sherlock Holmes' (2009), percebeu que o fim da história deixa brecha para continuação. A segunda aventura do famoso detetive britânico finalmente é revelada em 'Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras', que chega hoje aos cinemas brasileiros. Com o mesmo clima cinza e repleto de ação que marcou o primeiro longa-metragem, o novo título tenta ir além do que já foi apresentado e consegue ser tão divertido quanto.

Parte do trunfo é que o trio central foi mantido: Guy Ritchie retorna na direção e Robert Downey Jr. e Jude Law reprisam os papéis de Holmes e Dr. John Watson, respectivamente. A dinâmica dos atores é aflorada com o fato de o médico ter finalmente se mudado da casa onde moravam e iniciado a vida a dois com sua nova mulher. O reencontro parece ganhar ainda mais acidez entre as observações e inteligentes (e engraçados) insultos feitos entre os amigos.

A trama é baseada no romance 'O Problema Final', datado de 1893. Como era de se esperar, o vilão é o engenhoso Professor James Moriarty (Jared Harris), grande personalidade na Europa do fim do século 18. Sua engenhosidade não fica apenas no campo acadêmico, tomando proporções mundiais quando tenta iniciar a primeira grande guerra.

Os passos de Moriarty são seguidos de perto desde o começo por Holmes, mais aprofundado no caso do que de costume e, devido a isso, elevando seu grau de excentricidade. Na busca por pistas para resolver o chamado ‘jogo de sombras' - do qual participa pelo prazer de utilizar sua desconcertante inteligência -, ele terá a ajuda da cigana francesa Simza (a desconhecida Noomi Rapace, que deve se destacar nesta temporada).

'Sherlock Holmes' é o tipo de filme no qual se deve ter muito cuidado para não se revelar nada antes do momento certo. Cada item e local mostrados não são mera coincidência e tudo precisa ser observado pelo público com atenção para que não deixe a sala de cinema com a impressão de que alguma peça está faltando. Sessões extras poderão ser necessárias.

Talvez seja por esse cuidado que o diretor abuse dos efeitos do 'bullet time' nas cenas de ação e deixe a trama um pouco lenta com as análises do arrogante detetive. Até mesmo a figura enfadonha de Moriarty parece ser feita para desacelerar o agitado Holmes.

Grande parte da trama pode desagradar aos fãs, mas algumas revelações dos crimes são dignas da sagacidade do irritantemente estiloso e carismático protagonista.

DGABC



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