As cerca de 220 famílias que moram no bairro Baraldi, em São Bernardo, ficarão ainda mais isoladas a partir do dia 10, quando expira o prazo do salvo-conduto, documento expedido pela juíza Ana Lucia Xavier Goldman, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Santo André. A decisão da magistrada permite que as linhas 19 e 24 do sistema municipal de transporte de São Bernardo circulem pelo território de Santo André após o fechamento da Estrada do Montanhão, na quinta-feira.
Atualmente, os ônibus que fazem os trajetos são as únicas opções para os moradores do bairro chegarem ao Centro de São Bernardo por meio de transprote público. A Estrada da Pedra Branca, que seria outro acesso dentro do território do município, é estreita e não tem condições de receber veículos de grande porte, como os utilizados nas linhas municipais.
De acordo com a população local, o percurso das linhas está sendo realizado em aproximadamente duas horas. Os passageiros são tranportados do Baraldi até a praça localizada entre as ruas Guaíra e Mariano Procópio, no Jardim Guarará, em Santo André, divisa entre os dois municípios. Ali, são obrigados a fazer baldeação gratuita para outros ônibus da cidade, que os levam até o Centro. Os veículos iniciam o trajeto a cada uma hora.
Os moradores já temem pelo pior caso as linhas realmente sejam interrompidas a partir do dia 10. "Tenho o marido doente em casa, com consultas agendadas em janeiro. Se não tiver mais esse ônibus, não terei como ir e só conseguirei novo atendimento daqui a seis meses. Também dependo do transporte para buscar remédios", reclamou Maria Lucia Souza Silva, 49 anos.
A Prefeitura de São Bernardo afirmou que pretende entrar com recurso para tentar reverter a situação. "Isso irá acontecer, só estamos estudando de que forma vamos acionar a Justiça. O problema é que o Judiciário está de recesso e temos que esperar. Porém, nossa intenção é acabar com essa decisão de fechamento da estrada.
Não podemos nos acomodar com essa situação revoltante", afirmou o secretário de Assuntos Jurídicos e Cidadania, Marcos Moreira de Carvalho. O Fórum de Santo André só volta a funcionar no dia 9 de janeiro.
A equipe do Diário questionou o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André sobre a interdição da Estrada do Montanhão, mas até o fechamento desta edição não houve resposta da autarquia municipal.
Processo para fechar estrada teve início na década de 1990
A história do fechamento da Estrada do Montanhão, na divisa entre São Bernardo e Santo André, já dura cerca de 20 anos. O processo tramita na Justiça desde a década de 1990.
O traçado da via tem aproximadamente cinco quilômetros, entre o Jardim Silvina, em São Bernardo, e o Parque do Pedroso, em Santo André, passando por área de preservação ambiental. O suposto impacto causado à natureza é o que motivou o Ministério Público de Santo André a pedir a interdição da estrada.
A Prefeitura de São Bernardo argumenta que o bloqueio vai deixar sem saída as cerca de de 220 famílias que moram no bairro Baraldi.
Além de prejudicar os moradores, a interdição dificulta o acesso dos frequentadores ao Santuário Nacional de Umbanda, às margens da estrada.