Uma residência localizada entre as ruas Biquara e Bituva, no bairro Eldorado, em Diadema, foi alvo de depredação, anteontem à noite, por parte de frequentadores do pancadão, balada funk de rua e que a Prefeitura pretende regulamentar na cidade com série de normas. Entre elas, a exigência de um abaixo-assinado com 80% de adesão dos moradores da via para realização do baile.
Ontem, porém, a lei do silêncio prevalecia entre a população do bairro. A equipe do Diário esteve à tarde no local, mas teve dificuldades para ouvir relatos de moradores. "Não sei de nada. Não vi nada", disse um rapaz, quando chegava em sua casa e tratou de fechar o portão rapidamente.
E assim se sucedeu com tantos outros. Um comerciante, que não quis se identificar, confirmou a realização do baile no domingo, que só teve hora para começar. Mas resolveu despistar: "Saio de casa para evitar isso aí", afirmou, referindo-se à casa vizinha, com as vidraças quebradas.
No chão, exatamente na rotatória entre as duas ruas, muitos cacos de vidros e de garrafas, além de copos plásticos, demonstravam o cenário da festa e da depredação.
"Pedi pelo amor de Deus para que não saíssem daqui (guardas municipais), pois poderiam me matar. Mas a resposta dos guardas é que não poderiam ficar à minha disposição", contou o dono da residência depredada, e que pediu para não ser identificado.
Segundo relatos dele e de sua mulher, moradores chamaram a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal para acabar com o pancadão, que reunia, pelo menos, 1.000 pessoas, entre adolescentes e jovens no local, além do consumo de bebidas alcoólicas e do som do funk em alto volume.
Com a chegada da polícia, houve dispersão momentânea dos frequentadores do baile sem regras e ilegal, que voltariam minutos depois com pedras e tijolos nas mãos. O alvo era a casa da família. "Um policial militar contou para eles que nós haviámos denunciado, o que é uma mentira", afirmou a proprietária da casa, visivelmente assustada.
O dono da residência atacada também foi atingido no rosto com o arremesso de uma garrafa e teve o vidro traseiro do carro, estacionado na garagem, destruído. "Ele sangrava, mas não tivemos coragem de sair para ir ao pronto-socorro", relatou a mulher.
O comandante da GCM de Diadema, Hideharu Gonbata, confirmou ontem à noite, durante reunião do Conselho de Segurança - Regional Sul, no Centro Cultural do Serraria, a ocorrência da casa depredada. Ele afirmou que no domingo a corporação esteve envolvida em outras cinco ocorrências na cidade sobre pancadões. O capitão da 3ª Companhia da Polícia Militar de Diadema, Flávio Chagas, afirmou desconhecer o ataque à residência, mas que levantaria hoje a conduta dos policiais envolvidos na ocorrência. No encontro, também foi discutida a regulamentação dos pancadões.
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