
Há 60 anos era inaugurado em Santo André o Cine Tangará, segundo cinema de rua da cidade. Hoje, o número 54 da Coronel Oliveira Lima, no Centro, abriga igreja evangélica. Desde sua abertura, e nos anos 1950, representou grande avanço na maneira com que se assistia cinema na região.
Enquanto o Cine-Teatro Carlos Gomes, inaugurado 25 anos antes, tinha sistema de exibição antigo, o Tangará, trouxe o que havia de mais moderno para a época. "Eles instalaram o CinemaScope (cuja imagem era mais ‘alargada') e representaram grande inovação para a região", diz Nilo Mattos de Almeida, gerente de preservação da memória do Museu de Santo André.
Com exceção da tela, o restante das instalações da sala seguiam os padrões da época: 3.100 lugares, divididos em dois pavimentos. "As sessões eram populares, mas o lugar era bem frequentado", afirma Nilo.
A iniciativa do cinema foi da família Magini, que morava no endereço até a década anterior. "Em 1940, o local foi gabinete da Prefeitura. Cinco anos depois, já com o prédio desocupado, os Magini contrataram o escritório de arquitetura de Rodolfo Weigand para a obra", diz Nilo.
Apesar de sessões que fizeram sucesso - incluindo filmes de temática religiosa e os nacionais -, o cinema começou a decair no início dos anos 1990. "Como outras salas, o Tangará foi bastante afetado pela cultura do cinema em casa". Em 1992, parou de exibir filmes convencionais e entrou no mercado adulto - incluindo eventuais shows ao vivo de sexo explícito. Continuou certo tempo só com essa atividade até parte dele ser transformada em estacionamento e, posteriormente, em templo.