Diário do Grande ABC

ECONOMIA


domingo, 5 de setembro de 2010 7:47

Crédito consignado cresce 31,8%

Agência Estado

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O crédito consignado não para de crescer e vem ganhando cada vez mais espaço dentro das operações para pessoas físicas. Com taxas de juros bem menores que outras linhas, a carteira de empréstimo com desconto em folha cresceu 31,8% nos últimos 12 meses encerrados em julho, segundo os dados mais recentes do Banco Central.

Com isso, a participação desse tipo de empréstimo dentro do crédito pessoal chegou ao recorde de 60,1%, expansão de quatro pontos percentuais na comparação com o mesmo mês de 2009.

Enquanto as linhas de crédito para pessoa física cresceram 1% em julho ante junho, o consignado avançou 1,8%.

O principal motivo do interesse das pessoas pelo consignado é a taxa de juros, que chega a ser menos da metade de outras linhas, e o prazo maior. Em julho, a taxa do empréstimo com desconto em folha ficou em 26,8% ao ano, segundo os dados do BC. É o menor valor desde 2007 e bem abaixo dos 60,9% cobrados no crédito pessoal normal.

O consignado tem taxa menor porque o risco de inadimplência também é baixo, por conta do desconto automático das parcelas na folha de pagamento, avalia o presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Adalberto Savioli.

Para o funcionalismo público, o risco de calote é praticamente zero. No setor privado, com a economia aquecida, as taxas de desemprego estão em trajetória de queda, depois das altas de 2008 e começo de 2009, o que afasta o risco de novos calotes. "Por isso, o consignado está ganhando cada vez maior peso dentro do crédito pessoal", diz Savioli.

O Banco do Brasil resolveu entrar pesado nesse tipo de empréstimo. A carteira de consignado do BB foi uma das que mais cresceu no segundo trimestre, 37% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Parte desse crescimento se deve à incorporação do banco paulista Nossa Caixa, comprado no final de 2008 e forte no consignado, mas outra parte é reflexo da estratégia dos acordos com governos municipais e estaduais. "Desenvolvemos um sistema automatizado, que oferece custo menor por transação que outros bancos. Com isso, temos taxas mais competitivas", diz o presidente do BB, Aldemir Bendine.

Agora, a estratégia do banco são os aposentados e pensionistas do INSS. Da carteira total de crédito consignado dessa instituição, de R$ 40,5 bilhões, só 8% são empréstimos para aposentados. Ao mesmo tempo, trata-se do maior pagador dos benefícios do INSS no País, com mais de seis milhões de aposentados recebendo por suas agências.




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