Metalúrgicos do setor de fundição e dos grupos 3 e 8 aceitaram a proposta patronal de reajuste salarial de 9% em assembleia realizada ontem. A aprovação foi unânime e o ato, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, reuniu cerca de 10 mil trabalhadores.
Segundo Sérgio Nobre, presidente da entidade sindical, o reajuste é baseado no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), cuja projeção para agosto é de 4,45%, mais aumento real. É o maior percentual conquistado nos últimos dez anos, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
"Neste ano, as negociações foram diferentes. As propostas salariais para as empresas menores (como as autopeças) foram decididas primeiro e servirão de base para as reuniões com os demais empresários", diz o sindicalista.
O grupo 3 representa os funcionários das empresas de autopeças, forjarias e parafusos e o grupo 8, de trefilação, laminação de metais ferrosos, refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviários. A data-base da categoria é 1º de setembro.
Segundo o presidente da FEM-CUT (Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT de São Paulo) Valmir Marques, o Biro Biro, as negociações com montadoras, grupos 2 (máquinas e eletrônicos) e 10 (lâmpadas, equipamentos odontológicos, iluminação, entre outros) estão em fase de conclusão.
DECISÃO
Nobre afirma que o prazo para as bancadas patronais dos outros grupos apresentarem contraproposta termina sexta-feira (10). "Até lá, os trabalhadores farão passeatas e pausas na produção. Isso vai sinalizar que precisamos de definição." No sábado, o sindicato fará outra assembleia.
Nobre enfatiza: "Neste ano as montadoras estão batendo recorde de vendas. Por isso, é possível oferecer os 9% de reajuste, mas as negociações não serão fáceis." Em 2009, em meio à crise econômica mundial, o reajuste foi de 6,53%, mais abono. "Neste ano, o cenário é favorável."
Segundo ele, as fabricantes de veículos alegam que pagam PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) maior aos funcionários do que as indústrias que compõem os grupos que aceitaram o aumento.
Segmentos concedem seis meses de licença-maternidade
Dentre as cláusulas sociais reivindicadas na pauta deste ano, a que melhor foi aceita foi a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses (120 para 180 dias). Durante o ato realizado ontem, a coordenadora Andrea Sousa falou da importância da conquista.
"É um grande benefício para toda trabalhadora. Além de fecharmos o acordo com bancadas patronais da fundição e do grupo 3, antes de a campanha iniciar, conseguimos firmar também com outras dez empresas (algumas de outros setores). É uma conquista importante", frisa.
Outro tópico em discussão é a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, com manutenção dos salários. Segundo o presidente da FEM-CUT, o Biro Biro, a categoria continua batendo nesse item pois é preciso melhorar as condições de trabalho e gerar empregos.