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Moradores de rua rejeitam albergues no Grande ABC

17/07/2010 | 07:24
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O sábado será nublado e chuvoso no Grande ABC, com temperaturas entre 13ºC e 17ºC. Um motivo a mais para ficar sob as cobertas. Mas para pessoas como o chapa Juarez José Dias, 57 anos, cobertas quentes não têm o mesmo valor que a liberdade. Ele prefere passar a noite ao relento, debaixo do Viaduto Antônio Adib Chammas, no Centro de Santo André, a ir para um albergue.

"Já me chamaram várias vezes para ir para lá. Mas eu não quero. Eu iria me sentir preso. São muitas regras. Na rua posso fazer o que quiser e ninguém reclama", destacou Dias, que se orgulha de nunca ter contraído uma pneumonia nos dez anos em que vive na rua.

Além da sensação de aprisionamento, o medo e o desprezo. Esses são alguns dos motivos que levam Dias e muitos outros moradores de rua a trocar uma das cerca de 300 vagas em albergues nas sete cidades da região pelo abrigo de uma marquise ou de um viaduto.

ROUBO - Na tarde de ontem, próximo ao Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires, o guardador de carros Eduardo Soares, 39, dormia sob um pedaço de papelão, coberto por uma fina manta, quando aceitou falar com a equipe do Diário.

"Para um albergue não volto mais. Fui roubado da última vez que dormi por lá. É muito sofrido dormir na rua, mas prefiro ficar por aqui e contar com a solidariedade das pessoas", ressaltou Soares.

Há apenas oito meses na rua, ele reluta em dar detalhes sobre o passado recente. "Morava em São Bernardo, mas tenho o vício da bebida. Isso explica por que vim parar na rua", completou o guardador de carros.

CHEIRO RUIM - Sob o abrigo de uma tenda de cobertores umedecidos pela fina garoa, na rua Artur de Queiros, em Santo André, a recicladora Luciana Aparecida dos Santos, 28 anos, reclamava do frio e da dificuldade para dormir.

"É muito ruim dormir na rua. Já conheci muita gente que ficou doente por isso. Se eu pudesse escolher, dormia numa casa. Mas por qual motivo eu vou para um albergue? Só se for para sentir o fedor das outras pessoas. Como é desse jeito, prefiro a rua.", disse Luciana, que dorme nas calçadas da cidade desde os 12 anos de idade.

Frio já faz vítimas no Paraná e Mato Grosso do Sul

Da AE

O frio pode ter feito mais uma vítima em Curitiba (PR) na madrugada de ontem. Um homem aparentando 30 anos, que não tinha sido identificado até a noite, foi encontrado morto na rua por volta das 4h45, com pouca roupa e sinais de hipotermia.

Em Mato Grosso do Sul, dois homens morreram provavelmente vítimas do frio intenso, um em Ponta Porã e outro em Ribas do Rio Pardo.

DGABC



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