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domingo, 13 de junho de 2010 7:30

Festa junina por causa dos santos

Nayara Fernandes
Especial para o Diário

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Hoje é Dia de Santo Antônio, o primeiro santo junino. Além dele, São João é homenageado no dia 24 (foi ele que deu origem à festa católica), e São Pedro, no dia 29. Mas pouca gente se lembra deles quando dança quadrilha ou se diverte na festa. "Santo Antônio é o mais famoso porque ajuda as solteiras a arrumar namorado; é o casamenteiro", explica Ana Gabriela Zeferino Lima, 9 anos, de Santo André.

Júlia Gulacsi Pereira, 9 anos, de São Bernardo, também conhece bem essa tradição. "A festa junina não serve só para brincadeiras e comidas gostosas, mas para lembrar dos santos", justifica. As meninas estudam no Instituto Sagrada Família e sabem que essas datas foram criadas pela Igreja Católica. "São como o Natal, um dia importante", completa Sofia Lener Cares Tosi, 10.

A festa junina originou-se de antigas comemorações pagãs (que não são cristãs) de povos da Europa e Ásia. Há milhares de anos, celebravam a fertilidade do solo com festejos para pedir aos deuses chuvas e boas colheitas. Muito depois, a Igreja Católica passou a não aceitar esse tipo de festa e criou outra comemoração utilizando a mesma data. No início era chamada de joanina, porque homenageava São João; depois passou a junina, porque é celebrada em junho. A tradição foi trazida para cá pelos portugueses e ganhou destaque, uma vez que os índios já festejam as boas colheitas.

Aos poucos, a festa foi se espalhando pelo Brasil, e a população acrescentou novos costumes. Na Emef Leandro Klein, em São Caetano, a galera curte incluir novidades na tradicional quadrilha.

"Cada sala faz coreografia com um ritmo diferente, tem até country e forró", conta Letícia Pezzo, 10, que sabe que a tradição é cristã. "Minha avó explicou que é por causa dos santos." Outro sucesso são as comidas típicas, em geral, à base de milho, colhido nesta época. Bruno Abreu Dantas, 10, adora milho cozido e doces caipiras. Sua colega Giovanna Menezes, 10, não abre mão das brincadeiras como pesca, tomba-lata e pula-pula.

É a festa mais importante no Norte e Nordeste

Há festa junina em todos os Estados do Brasil, com características próprias. Em algumas cidades do Nordeste, a festa dura o mês inteiro e é feriado no dia dos santos. Campina Grande, na Paraíba, atrai milhares de turistas que vão assistir a dezenas de quadrilhas, shows com cantores famosos de forró e fogueiras com até 20 metros de altura. Ela disputa com Caruaru, em Pernambuco, o título de maior São João do mundo. Em Pernambuco, as atrações também ficam por conta das danças e brincadeiras embaladas pelo forró.

Na região Norte, a dança mais tradicional é o bumba-meu-boi (ou boi-bumbá), que conta a lenda de um boi que morre e é ressuscitado. Na história, a grávida Catirina quer comer a língua do boi do patrão do seu marido. O fazendeiro descobre que ele matou o boi para atender o desejo da mulher, manda prendê-lo e diz que só o soltará se o animal voltar a viver. São chamados os pajés que ressuscitam o boi. O marido é solto e todos fazem uma grande festa. Isso é encenado por meio de dança, que tornou-se grande espetáculo, em que os grupos Caprichoso e Garantido disputam, todos os anos, o título de o melhor.

Curiosidades
Desde o início da civilização, o homem organizava eventos para agradecer as divindades e a natureza pela boa colheita. Nessa ocasião, oferecia comida, dança e fogueira aos deuses. As festas se popularizaram e ganharam outros elementos. Daí a Igreja Católica aproveitou a época de colheita no Hemisfério Norte, em junho, para homenagear os santos do mês. Aqui ganharam características indígenas, africanas e do povo da roça, com comidas feitas com milho, mandioca, amedoim e coco.

A quadrilha é originária de danças populares da França e Inglaterra. Foi introduzida no Brasil em 1820, por integrantes da corte imperial. Era a dança preferida para abrir os bailes da nobreza, nos quais as mulheres usavam seus vestidos mais bonitos. Aos poucos, se popularizou e ganhou novas características. Como as coreografias eram marcadas em francês, palavras e expressões foram aportuguesadas e se transformaram em frases como ‘Olha a chuva. É mentira!'.




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