Diário do Grande ABC

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domingo, 16 de maio de 2010 7:53

Explosão de cores

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

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Calça roxa, camiseta rosa, tênis azul, óculos vermelhos, relógio verde, jaqueta laranja. ‘Ok, estou pronto'. É assim que a tribo dos coloridos pensa antes de sair de casa. Combinar para quê? Na verdade, a moda é não combinar e abusar das cores, em especial as fluorescentes.

É fácil esbarrar em um deles, que não tem como não ser notado. E é isso mesmo que eles querem! "A idéia é o exagero, ser diferente. Quanto mais cores e sobreposições, melhor o look", explica Monalisa Gonçalves Martins, professora de Estilo da Escola de Moda Sigbol Fashion. Ela confirma que a tendência continua forte no inverno.

Não pense que é novidade. Na década de 1980, também rolava usar cores fortes, mas não tudo de uma vez só. "Agora ela retorna mais agressiva. Todos - de emos a patricinhas - têm acesso, mas cada um usa o ‘limão fluorescente' de acordo com seu próprio estilo." A professora acrescenta que os emos deixaram o preto de lado e aderiram às cores. "Isso trouxe alegria."

Adepta do estilo de roupas, inclusive sutiãs, Jéssica Caroline, 18 anos, de Ribeirão Pires, adora pintar as unhas, usar acessórios e fazer maquiagem com as cores fluorescentes que mais fazem sucesso, como laranja, limão (em vários tons de verde), rosa, azul e amarelo. "Meus pais não gostam muito, acham que sou exagerada. Mas, não ligo. Dou um jeito de ficar estilosa até na escola."

Rafael Ventura, 20, também sempre procura usar o que é tendência. "Fico ligado", confessa. Ele curte tanto a moda colorida - inclusive a dos sneakers (tênis) - que promove uma balada quinzenal em Sampa, a Converse Party, para reunir a tribo. "O legal é que vai gente de tudo quanto é lugar", conta o garoto, que visitou a Dinamarca no fim do ano passado e comprovou que a moda colorida é universal. "Eu me senti em casa. A galera usa muita cor, calça skinny e até o tipo de cabelo igual, liso e desfiado."

No dia a dia, Felipe Nardoni, 16, procura não abusar das cores, mas capricha bastante quando vai à balada e também vai trampar. Ele é cantor, ator e ‘Colírio da Capricho'. "Uso cores mais como uniforme de trabalho. Mas, acho uma moda up e divertida."

Influência veio dos palcos
É fato: no Brasil, essa moda surgiu depois que bandas como Cine, Restart, Replace e o Fiuk da Hóri (que acaba de lançar uma marca de roupas) começaram a fazer sucesso. Os meninos chegaram com a proposta, receberam algumas críticas, mas conquistaram o público. A prova é o arco-íris na platéia que rola nos shows dessas bandas.

DH, vocal da Cine, conta que se inspiraram em Forever The Sickest Kids e Cobra Starship. "Fugimos do visual emo e dark que tomava conta da cena underground em 2007." A banda também buscou referências nos anos 1980, principalmente nos acessórios, como as headbands (faixas que os jogadores de tênis usam na cabeça), pulseiras e os sneakers.

O objetivo? Caio C., da Replace, explica que muitas músicas falam sobre ir atrás dos sonhos. "Quem está feliz reflete isso no modo de vestir. Vai falar que, às vezes, não dá vontade de pegar a camiseta mais colorida da gaveta e sair sorrindo por aí? É um modo de deixar o mundo menos sério e mais vivo."

A Restart também adotou visual colorido para transmitir a ideia do Happy Rock (Rock Feliz). "A galera olha para o palco e vê quatro meninos coloridos vibrantes, não tem como não se animar", afirma o vocalista Pe Lu. Os fãs adotaram o estilo, segundo o vocalista, porque perderam a vergonha de misturar as cores e dizem que ‘pô, se o Pe Lu pode usar uma calça amarela por que eu não posso também?'.

E como não exagerar? Segundo a professora de moda Monalisa Martins, dá para abusar dos acessórios quando as cores da roupas são um pouco mais básicas. "O que é se sentir à vontade e ser você mesmo. Também tem de manter o equilíbrio e o bom-senso nas opções que fizer. É preciso saber usar o colorido para não virar nem o Tiririca nem o Falcão, né?" afirma DH.

Maquiagem completa visual
A sombra neon bombou no verão e se mantém no inverno. A dica para essa maquiagem, mais espessa, é tirar o excesso. Dá para combinar duas cores. Também tem batom neon, mas se for usar sombra forte, opte pelo gloss nos lábios.

Esmalte flúor está com tudo. Há várias marcas, como Big Universo e Impala, disponíveis no rosa, laranja, amarelo, roxo, entre outras cores. É bacana dar uma combinada básica com algum detalhe da roupa, só para dar o charme.

Acessórios de todo o tipo
Colar, brinco, piercing, anel, pulseira, bolsa, cinto, prendedor de cabelo, boné. Há infinidade de opções de acessórios coloridos para quem pretende compor look moderno. Na Galeria Ouro Fino (Rua Augusta, 2.690) e Galeria do Rock (Rua 24 de Maio, 62), em São Paulo, é fácil encontrar de todos os tipos e para todos os bolsos. Meia-calça colorida também fica legal e combina com inverno.

Confirao que Pe Lu, da Restart, DH, da Cine, e Caio C., da Replace, falaram sobre moda:

Vocês sempre se vestiram coloridos?
Pe Lu
- Desde sempre usamos camisetas, tênis e acessórios coloridos. As calças vieram para marcar a imagem e reforçar a mensagem de alegria. Sem contar que o visual complementa o som que fazemos. As músicas falam sempre de alegria e recomeço.

Dh - Fomos a primeira banda a fugir do visual emo ou dark que tomava conta da cena underground em 2007. Mesmo assim, a galera estranhou bastante no começo. Mas com o lançamento do nosso primeiro EP, demos bastante ênfase nas cores para mostrar realmente a proposta do Cine, que era passar coisas positivas, tanto nas letras como no visual.

Caio C. - Nós sempre vestimos o que sentiamos vontade. Nunca paramos pra pensar se estavámos usando algo colorido ou não. Acho que o que mais mudou é que passamos a usar roupas com um corte mais legal, antes usavámos roupas muito largas. Às vezes a gente ainda usa!

A influência veio de que bandas?
Pe Lu
- A gente costuma se espelhar bastante no jeito como bandas gringas se vestem. Pra citar algumas: The Maine, Boys Like Girls, All Time Low, Cobra Starship, Cash Cash.

Dh - A influência veio de bandas gringas como Cobra Starship, Forever The Sickest Kids, Metro Station e outras que vinham começando a bombar lá fora e tinham uma pegada visual mais diferenciada. Buscamos referências nos anos 1980 também, que tinha roupas com cores berrantes e acessórios inusitados, como as headbands (aquelas faixinhas que os jogadores de tênis costumam usar na cabeça), pulseiras e os sneakers, que somos viciados.

Caio C. - No nosso caso a maioria veio de bandas gringas e também de skatistas gringos. Eles se vestem assim há muito tempo. Nós damos preferência para camisetas com estampas legais e tênis bem diferentes dos comuns. Só as calças que sempre usamos de cores mais neutras e com cortes mais justos.

Como escolhem as roupas que vão usar?
Pe Lu
- Não tem regras. Pegamos uma calça bacana, uma camiseta legal, colocamos e nos olhamos no espelho. Se nos sentirmos bem com aquilo, está pronto! O importante é estar bem consigo mesmo. Depois ouvimos a opinião um do outro pra chegarmos a look bacana.

Dh - Não temos uma regra e nem nos juntamos antes de um show para preparar um figurino. Basicamente, cada um se veste na sua casa, como acha melhor, e é isso. Ás vezes rola pedir uma camiseta ou tênis emprestado do amigo na hora, e vai que vai!

Caio C. - Cada um tem seu jeito. Eu costumo passar um tempão pensando no que vou usar. O Koala se veste mais rápido, coloca algo que o deixe bem e pronto. Mas não temos problemas com isso. Às vezes todo mundo aparece de preto ou de amarelo, mas todo mundo feliz com o que escolheu!

O que vale e o que não vale na hora de compor um visual?
Pe Lu
- Sempre vale é você estar bem com o que veste. Se pra você estar bonito é vestir uma calça verde limão, então lindo. Se prefere o preto, lindo também. Seja você mesmo, seja feliz.

Dh - O que não vale é forçar um visual pra chamar atenção ou porque "tá na moda se você não vai se sentir bem usando aquelas roupas. Assim, elas acabam virando um uniforme. O que vale é ser você mesmo e manter equilíbrio e bom senso nas opções que fizer, saber usar o colorido mas sem virar Tiririca ou Falcão, né?

Caio C. - Bom senso. Adoramos cores e acessórios diferentões, mas cada coisa de uma cor não rola. Pelo menos pra gente não. Fica meio árvore de natal sabe?

Não cansam de tanto colorido?
Pe Lu
- Não porque isso é o que somos agora, é com essas roupas que nos sentimos bem. Não tem uma obrigação de usar colorido. A gente usa porque curte, então não dá para enjoar.

Dh - Creio que a galera tenha gostado do estilo pelo fato de ser algo divertido e mais jovem.

Caio C. - A gente sempre pegou leve com isso, não existe uma regra. Ás vezes dá vontade de ir só com roupas pretas ou brancas para um show, e nós vamos. As cores não são parte essencial do Replace, são só cores, assim como preto e branco.

Por que voces acham que a galerinha está curtindo usar este estilo?
Pe Lu
-Acho que fizemos a galera perder a vergonha haha. Eles olham pra gente e pensam "Pow, se o Pe Lu pode usar uma calça amarela por que eu não posso também?".
Sem contar que a nossa geração é mais "HAPPY" eu acho haha, todo mais feliz, mais pra cima.

Dh - Creio que a galera tenha gostado do estilo pelo fato de ser algo divertido e mais jovem.

Caio C. - A galera está mais pra frente. O rock já não se baseia apenas em desilusões e derrotas. Muitas músicas novas falam sobre ir em frente atrás dos sonhos, sobre crescer, sobre sair de skate em um dia de sol e esquecer da vida. Quem tá feliz reflete isso no modo de se vestir. Vai falar que às vezes não dá vontade de pegar a camiseta mais colorida da gaveta e sair sorrindo por ai? É um modo de deixar o mundo menos sério, com mais vida.




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