
Subiu para 145 o número de mortes em função da chuva que atinge o Estado do Rio de Janeiro desde a tarde de segunda-feira. Segundo informações da Defesa Civil, Niterói lidera o ranking de vítimas fatais, com 79 óbitos, seguida pela Capital (46) e por São Gonçalo (16). As cidades de Nilópolis, Petrópolis, Magé e Engenheiro Paulo de Frontin tiveram uma morte cada.
Foram registrados até agora 181 deslizamentos de terra, que obrigaram mais de 11 mil pessoas a deixarem suas casas. Ainda há pelo menos 65 desaparecidos e 130 feridos, segundo o Corpo de Bombeiros.
Em uma reunião com o ministro da Integração Nacional, João Santana, o governador e o prefeito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, respectivamente, pediram ao governo federal um investimento de R$ 370 milhões para recuperar os danos causados pela chuva no Estado. A verba será destinada a obras de geotecnia em áreas de risco, sobretudo nos bairros da Tijuca, na Zona Norte, e de Jacarepaguá, na Zona Oeste.
Pela manhã, o prefeito afirmou que a capital fluminense permanece em estado de atenção, apesar de a chuva ter perdido a intensidade. Ele fez um apelo para que os moradores se desloquem pela cidade apenas em caso de necessidade.
Saúde - As chuvas também provocam transtornos nos serviços de saúde do Rio. No Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti), foi registrada uma queda de 80% nas doações de sangue desde a tarde de segunda-feira. Na manhã de hoje, o órgão entrou em alerta máximo, pois os estoques já começam a ficar escassos. Na terça-feira, apenas 61 bolsas de sangue foram coletadas, quando o normal seria 300. O local já sofria com a diminuição das doações por conta do feriado de Páscoa.
Nos hospitais federais do Rio, o Ministério da Saúde determinou a suspensão de cirurgias programadas, como catarata ou de varizes. A medida tem como objetivo reservar o maior número de leitos para atender vítimas das chuvas e desabamentos. "A suspensão deverá vigorar até quando for necessário. Vamos ver qual será a demanda. O importante é garantir atendimento rápido para pacientes", assegurou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Samu — O telefone 192 do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) do Rio de Janeiro ficou fora do ar na manhã desta quarta-feira por conta de um princípio de incêndio no prédio onde funciona o centro de recepção de chamadas, em Copacabana, Zona Sul da cidade. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, todo o prédio teve a energia elétrica cortada.
O Corpo de Bombeiros montou um esquema especial para funcionamento do serviço, que está atendendo pelos telefones 2333-9240/2333-9241/2333-9221/2333-9225/2333-9226/2333-9215 e pelo celular 8596-9769.
O início de fogo ocorreu em função de um curto circuito no andar térreo do edifício e não chegou a atingir a central do Samu. No entanto, todo o prédio precisou ser evacuado. Não há previsão para o retorno do funcionamento do telefone 192.
Aulas — O prefeito do Rio também determinou a suspensão das aulas na rede pública de ensino pelo segundo dia consecutivo, como já havia sido adiantado ontem pela Secretaria Estadual da Educação. "A medida é preventiva e tem como principal objetivo preservar alunos, professores e diretores de possíveis danos ocasionados pela chuva incessante", afirma nota enviada pela pasta.
O prefeito também recomendou que as escolas particulares sigam a mesma orientação. As universidades Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também suspenderam as aulas hoje.
Interdições — Segundo a prefeitura, as principais vias da cidade, como Praça da Bandeira Avenida Brasil e Francisco Bicalho, já foram liberadas. Para os moradores da Zona Sul, as ruas dos bairros de Jardim Botânico e Botafogo são alternativas à Lagoa Rodrigo de Freitas, que continua com restrições nesta manhã. Permanecem interditadas Grajaú-Jacarepaguá, Grota Funda, Avenida Niemeyer e Alto da Boa Vista.
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