Mais de 30 árvores da Avenida Portugal e praças próximas, nos bairros Bela Vista e Vila Floresta, tiveram pregadas em seus troncos propaganda imobiliária. Os papéis com número de telefone e os dizeres "vendo imóvel" foram afixados com quatro pregos cada. Segundo especialistas em Direito Ambiental a prática é crime.
De acordo com a dona de uma loja de roupas na altura do número 1.700 da Avenida Portugal, que pediu para não ser identificada, os cartazes começaram a ser colocados na terça-feira.
Uma moradora do bairro, que preferiu não dizer o nome, contou que chegou a ver o homem que pregou os cartazes. "Vi de longe. Era um senhor com cerca de 60 anos.Ele andou por várias ruas aqui no bairro e foi pregando as propagandas. Depois que percebi que ele havia ido embora, fui até algumas árvores e tirei esses anúncios ridículos que colocaram nessas árvores que são um dos poucos patrimônios que ainda temos na cidade", lamentou a mulher.
Moradora há 20 anos na avenida, a dona de casa Patrícia Moreira, 50 anos, ficou indignada . "É uma vergonha o que fizeram com essas árvores. As pessoas que cometeram esse crime deveriam ser presas", comentou.
A estudante de Educação Física Fernanda Antunes, 25, moradora do bairro Vila Floresta, realizava caminhada pelo local ontem à tarde e ficou impressionada com o desrespeito com as árvores. "Isso não se faz de maneira alguma. Usar o patrimônio público para fazer propaganda, ainda mais de imóvel. É muita falta de educação desses empresários que só querem saber de ganhar dinheiro", opinou.
CRIME - A especialista em Direito Ambiental Maria Luiza Monteiro Canale, 46, que trabalha na área há 12, diz que a ação é crime ambiental. "Pela quantidade de árvores atingidas a pena pode ser mais grave, mas como a imobiliária é considerada pessoa jurídica, ela terá de fazer no máximo uma compensação ambiental plantando outras árvores", explicou.
TELEFONE - O Diário telefonou para o número indicado na propaganda. Foi atendido por um homem, que admitiu ter colocado os cartazes. Ele se identificou apenas como Márcio e disse já ter sido notificado pela Prefeitura para retirar o material das árvores. Ele não quis informar se é proprietário de imobiliária ou corretor de imóveis autônomo. "Não houve má intenção e nem pensei em prejudicar as árvores. O objetivo era vender os imóveis", disse.
A Prefeitura de Santo André foi procurada para comentar o caso,mas não se manifestou.