Duas mortes de recém nascidos foram registradas nos últimos dois dias em hospitais de São Bernardo.
No dia 12, a dona de casa Simone Almeida, 25 anos, foi a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde afirma ter permanecido em uma maca sem receber atendimento. Uma enfermeira percebeu que ela estava tendo um aborto. Sem condições de ser atendida no local, Simone diz que esperou cerca de duas horas por uma ambulância para ser transferida ao PS Central.
De acordo com boletim de ocorrência registrado ontem no 1° DP da cidade, como não havia aparelho de ultrassom disponível, Simone foi medicada e recebeu alta para voltar na manhã do dia 13 e fazer o exame.
Nesse dia, a dona de casa procurou uma clínica particular para fazer os testes, passou mal, ligou para o Samu e teria ouvido que não seria atendida por estar sob responsabilidade da clínica. Três horas depois, Simone saiu com o exame e seguiu a pé para o PS Central, mas começou a ter sangramento. Novamente, a dona de casa e o marido pediram socorro ao Samu que teria se recusado a enviar uma ambulância sob alegação de que se tratava de um trote. Na terceira ligação, o marido de Simone ainda afirma ter ouvido ofensas por parte de uma atendente.
Um taxista levou o casal ao PS Central, onde eles teriam esperado mais de duas horas sem atendimento e sob alegação de que o médico estava tomando café. Indignado, o marido de Simone invadiu o consultório e flagrou o médico lendo jornal.
A dona de casa não teria sido medicada e foi transferida às 18h para o Hospital Estadual Serraria, em Diadema, onde soube que havia perdido o filho e que ele poderia ter sido salvo se tivesse recebido atendimento.
Anteontem, outra mulher perdeu o filho ao dar entrada no HMU (Hospital Municipal de Urgência). Aline da Silva, 21, deu à luz uma menina que morreu em menos de uma hora. O caso foi registrado no 1° DP e será investigado.