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Vagas bloqueadas tiram a paciência do motorista

Bruna Gonçalves
Tiago Dantas
17/03/2010 | 07:43
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O motorista do Grande ABC nem sempre consegue parar onde quer. Comerciantes bloqueiam algumas vagas com cones e cavaletes para guardar lugar para caminhões, enquanto escolas impedem o estacionamento utilizando obstáculos para evitar tumulto durante a entrada e saída.

O Diário percorreu ruas de Santo André, São Bernardo e São Caetano ontem à tarde e notou que a prática é frequente na região. Embora seja comum, bloquear vaga é uma infração de trânsito. "É completamente ilegal", afirma o advogado Cyro Vidal, presidente da Comissão de Assuntos e Estudos sobre Direito de Trânsito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

"Algumas escolas têm placas de estacionamento permitido por dez minutos. Nesse caso, não há problema em colocar os cones para organizar o processo", opina o advogado. Vidal lembra que a área de carga e descarga localizada em frente a comércios também deve ser sinalizada por placas.

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A principal justificativa dos comerciantes é a falta dessas vagas exclusivas. "Já cheguei a perder fornecedor e clientes porque eles não têm onde parar aqui na frente", afirma a comerciante Sônia dos Santos, 55, dona de loja de material de construção na Rua Carijós, Vila Alzira, em Santo André. Sônia deixa o cone preto e amarelo junto à calçada durante a maior parte do tempo e só o coloca no meio da vaga quando sabe que será feita alguma entrega.

Um corretor de imóveis de São Caetano, que pediu para não ser identificado, afirma que tomou a iniciativa de colocar dois cones, que impedem o acesso a duas vagas na Rua Espírito Santo, Centro, para impedir que carros parem em frente à obra do prédio em que trabalha. "Rebaixamos a guia para os caminhões entrarem, mas a Prefeitura não tirou a pintura das vagas ainda", diz.

A reportagem flagrou quatro cones em frente a um colégio na Rua Pio XII, no Parque Santo Antônio, em São Bernardo, por volta das 15h. Uma funcionária, que não quis se identificar, disse que os objetos servem como corredor para embarque e desembarque das crianças e para as peruas escolares que ficam apenas em horários de entrada e saída. Embora a placa indique que as vagas são exclusivas para perua escolar, os carros também param.

O segurança de um bufê de São Bernardo, Antonio Alvares, 29, informou que o cone colocado em frente ao estabelecimento na Avenida Prestes Maia, no Centro, é para fornecedores, clientes e funcionários. "Deixamos por precaução, mas se alguém quiser estacionar tiro sem problemas", esclarece.

Obstáculos evitam estacionamento até em guia rebaixada

Alguns comerciantes de São Bernardo contam que usam cones e cavaletes para não deixar que veículos estacionem em frente ao estabelecimento, nas guias rebaixadas.

Renato Romano, 38, sócio de uma gráfica da Avenida Imperador Pedro II no Centro, diz que por ser uma rua sem Zona Azul, as pessoas abusam. "Se não fizer isso, os motoristas deixam o carro e saem. Até com o cavalete algumas motos estacionam. Fica difícil, porque preciso entrar para descarregar papel", explica o Romano.

Quem vive a mesma situação é Robert Mariné, 27, gerente de uma ótica na Avenida Armando Ítalo Setti, no Centro. "Colocamos o cone assim que chegamos. Às vezes tem carro parado. As pessoas não respeitam a guia rebaixada. Temos que chamar o amarelinho", diz.

Prática deixa irritado quem tenta estacionar

Não conseguir estacionar na rua porque a vaga já está ocupada por um cone irrita os motoristas. "Já é difícil parar porque a rua está cheia de carro. Aí em uma das poucas áreas em que eu poderia deixar meu carro, colocam esses malditos cones. É fogo", lamenta o auxiliar de escritório Emerson Ramalho, 25 anos, ao tentar parar seu carro na Rua Maranhão, Santa Paula, em São Caetano.

"É um absurdo isso que fazem", opina a engenheira Liliane Farias, 34. "Quero poder parar onde quiser. Acho que a fiscalização deveria ficar em cima disso", afirma ela, que trabalha no Centro de Santo André.

Impedir a parada de alguém na rua usando um cone é o mesmo que estacionar em local proibido, segundo o advogado Cyro Vidal, especialista em legislação de trânsito. A punição para isso é multa de R$ 127, além de cinco pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação), de acordo com o Código Brasileiro de Trânsito.

APREENSÕES - Mais de 70 cones e cavaletes foram apreendidos no último mês pelo DST (Departamento de Segurança e Trânsito) de Santo André, segundo a Prefeitura. Em São Caetano, quem for flagrado obstruindo uma vaga de trânsito é notificado e, em caso de reincidência, recebe uma multa. A Prefeitura da cidade informou que "é comum que nos períodos de entrada e saída dos alunos sejam utilizados os cones como recurso para proteger a saída."




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