A quatro anos da realização da Copa do Mundo no País, uma fatia da população do Grande ABC se movimenta para aprender a língua inglesa e não ficar para trás na hora de disputar uma oportunidade de trabalho durante o torneio e, mais adiante, para a Olimpíadas. Neste início de ano, diversas escolas já registram aumento de 5% a 10% nas matrículas.
O gerente de padaria Fabio de Almeida, 31 anos, trabalha em Santo André e matriculou-se no curso de inglês há duas semanas. "Atendemos muitos estrangeiros e este número crescerá com a realização da Copa, devido à proximidade da região com São Paulo", avalia.
Além de o estabelecimento estar próximo de alguns hotéis na cidade, Almeida não descarta conseguir alguma oportunidade durante o evento ou mesmo assistir jogos na África do Sul, pois tem parentes que moram no país-sede do campeonato que ocorre neste ano.
Os alvos das escolas são profissionais do setor de turismo: agentes de viagens, taxistas, atendentes de hotéis. Também não escapam os metalúrgicos e funcionários do polo petroquímico.
"Realmente a procura cresceu em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Cerca de 20% dos interessados relatam a Copa do Mundo como motivo para o curso de inglês", afirma o franqueado da Wizard Santo André, Alexandre César Nunes.
Entre janeiro e fevereiro foram realizadas 500 matrículas, alta de 5% frente a 2009. A unidade tem parceria com o Blue Tree Towers e o ABC Rádio Taxi. A estratégia de Nunes com a cooperativa foi fazer de propaganda da escola no vidro traseiro dos veículos.
REAJUSTE - O aumento do número de interessados nas escolas de idiomas e, consequentemente, nas matrículas, elevou o preço das mensalidades em algumas escolas em até 10% neste ano.
Mesmo assim, a quantidade de alunos quase triplica mensalmente em determinadas unidades, como na Lexical - do Omtez Group, dono da Wise Up. O franqueado da rede, Dennis Bello, aponta que os pais estão se preocupando com a formação dos filhos. "A demanda cresceu para alunos com idade entre 17 e 19 anos", diz.
Mesmo assim, o franqueado da Lexical - aberta em novembro - crê que quanto mais próximo da Copa maior será a procura, pois o brasileiro costuma deixar muita coisa para última hora e o curso da rede dura 24 meses.
Escolas têm campanhas focadas no torneio para atrair público
As principais redes de escolas de idiomas começam a correr para lançar pacotes e campanhas direcionadas para a Copa do Mundo. Diante da constatação de um ano atípico, com forte incremento nas matrículas, a CNA fechou ontem sua estratégia para continuar crescendo.
A rede apresentará ao mercado no dia 21 minicurso gratuito focado no torneio mundial. "Durante um mês o aluno assistirá quatro aulas com situações que podem ocorrer durante uma viagem internacional", explica o diretor de marketing da CNA, Leonardo Cirino.
A expectativa é que após este período, o aluno passe a frequentar aulas regularmente na unidade. A escola tem uma versão ‘clássica' desta ação, onde 50% das pessoas efetuaram a matrícula após o período de gratuidade.
Presente na região com três franquias, a rede vê incremento de 25% no número de novos alunos. Antes a meta era de 15%.
MÉTODO - A concorrente Wizard, que possui seis escolas no Grande ABC, lançou há alguns meses pacote batizado de ‘University', em que durante quatro anos, até a Copa de 2014, o aluno frequentará o curso tradicional, tendo a opção de especializar-se por mais dois anos, para a Olimpíada de 2016.
O diretor de marketing da Wizard, Roberto Marcinelli, garante que em quatro anos a pessoa consegue fluência verbal.
Diante deste cenário, a franqueada da Fisk em Diadema, Marisol Asenjo Seoanes, planeja contratar mais professores. Para ela, o evento reflete diretamente no ânimo da população. "Muitos querem se capacitar para trabalhar em hotéis, agência de receptivo. Por isso estamos investindo bastante em divulgação", diz.