CULTURA & LAZER


segunda-feira, 29 de setembro de 2008 7:00

Lanterna verde brilha como nunca

Luís Felipe Soares
Especial para o Diário

0 comentário(s)

Começa uma nova fase da DC Comics no Brasil. Como prometido há alguns meses, a Panini - responsável pela distribuição dos trabalhos da editora norte-americana por aqui - traz uma nova leva de produções e revistas inéditas. E o Grande ABC tem sua parcela de participação nessa reformulação graças à Dimensão DC: Lanterna Verde 1 (Panini, 100 págs., R$ 6,90), nova série mensal dedicada a um dos maiores heróis dos quadrinhos. A publicação traz em seus primeiros números a aguardada saga A Guerra dos Anéis, desenhada por Ivan Reis, de São Bernardo. Ele foi o responsável por renovar a história do gladiador esmeralda após um período de ostracismo.

"Esse é o trabalho mais importante da minha carreira. Foi com ele que ganhei reconhecimento e um prêmio no ano passado", explica Ivan. Ele foi escolhido como melhor desenhista de 2007 pela edição norte-americana da revista Wizard, que realiza uma das votações mais respeitadas do mundo. Apesar de chegar agora no País, a história foi lançada nos Estados Unidos no ano passado.

Em A Guerra dos Anéis, Sinestro, ex-membro da Tropa dos Lanternas Verdes, decide montar seu próprio grupo de aliados sinistros para combater diretamente seus antigos companheiros.

Com a ajuda de uma misteriosa entidade e cercado pelo medo, emoção que rege sua nova fase e que dá poder a seus anéis amarelos, o vilão promete agitar ainda mais o universo DC. Para isso, ele terá a ajuda de alguns vilões conhecidos dos fãs das HQs, como Superciborgue e Parallax, e de outros alienígenas que irão formar a temida Tropa Sinestro.

Quando foi lançado há cerca de um ano nos Estados Unidos, a saga não era tida como o principal produto da DC Comics, que tinha sua atenção voltada para as reviravoltas da série de crises que ainda movimenta a editora. Mas o projeto de Ivan, que trabalhou junto com o roteirista Geoff Johns, um dos destaques da nova geração, acabou se tornando sucesso de crítica e de público.

"Quando saiu, não teve tanta divulgação e atenção logo de cara. Mas ela atingiu o hype graças ao boca-a-boca do público. Acabou tendo mais destaque que as principais histórias da editora", lembra o desenhista.

A repercussão foi tão grande que agora ganhou uma revista aqui no Brasil. Toda a emoção de A Guerra dos Anéis irá ocupar as páginas da revista Dimensão DC por cinco edições.

O evento é tido apenas como mais um episódio em uma grande trama que envolve a atual trajetória do Lanterna Verde.

"O projeto é uma trilogia dentro de uma história contínua do Lanterna. A primeira etapa foi o retorno do personagem à uma edição mensal. Agora temos essa saga. Mas, na verdade, ela só prepara o terreno para o que ainda está por vir", revela Ivan.

Ele pouco pode falar sobre o projeto que deve começar a ser lançado no mercado norte-americano no meio do ano que vem. Mas adianta que "haverá uma grande guerra e uma salada de cores". (Supervisão de Melina Dias)

Envio de desenho é virtual

Apesar de produzir para uma editora dos Estados Unidos, Ivan Reis trabalha em sua casa, próxima ao centro de São Bernardo. Da mesa em seu estúdio particular, ele mantêm uma relação praticamente digital com a DC Comics.

"Eu desenho aqui em casa mesmo e mando o trabalho pelo computador. Praticamente 98% do que faço chega por meio da internet", revela. Após terminar sua parte, é a vez do desenho ganhar os retoques do arte-finalista e só depois ser transformado em material digital.

Mas antes de começar a fazer os primeiros esboços, é preciso analisar o roteiro que lhe é enviado. Nessa hora, utilizar a imaginação é o principal. Ivan explica que, com o texto em mãos, começa a dar formas ao que está lendo em páginas e mais páginas de história. Depois, ele desenvolve cada cena por meio da detalhada descrição feita pelo roteirista.

A cobrança quanto aos prazos de entrega dos trabalhos é o principal ‘vilão' a ser derrotado. Mesmo mantendo uma média de envio de uma página de desenhos a cada três dias, o número ainda está aquém do esperado pela DC. "Para eles, o ideal seria eu fazer uma página por dia. Mas a produção de cada desenho depende de muitas coisas, como a entrega do roteiro no tempo determinado e a mudança repentina do desenhista que estava escalado", diz Ivan, que afirma levar cerca de cinco semanas para completar uma edição em formato norte-americano, com mais de 200 páginas.

Em meio à sessão de fotos para o Diário, o desenhista compara sua profissão com a fotografia. Para ele, sua arte tem mais possibilidades de se desenvolver. "Desenhar é meio parecido com fotografar. Eu tenho de me preocupar com o enquadramento, com a luz, essas coisas. A diferença é que meu trabalho não tem limites."

O que muda na DC Comics

No ano que se comemora os 70 anos da primeira publicação das histórias da DC Comics no Brasil, a Panini decidiu reformular toda a sua linha de revistas da editora norte-americana. Os fãs encontrarão um novo núcleo formado por seis revistas regulares e duas maxisséries. Estas contam histórias paralelas às que são lançadas mensalmente nas bancas.

A reformulação prepara o terreno para os acontecimentos que serão desenvolvidos em 2009, com o lançamento da saga Crise Final, grande lançamento da editora para o ano que vem. Para isso, algumas histórias pendentes foram encerradas e as que continuam tiveram toda a sua estruturada reiniciada.

Deixam as bancas os títulos Os Melhores do Mundo, Universo DC, DC Especial, Batman Extra e DC Apresenta. Elas dão espaço para a chegada de Prelúdio Para a Crise Final e para a linha Dimensão DC, que trará em suas primeiras edições os acontecimentos de A Guerra dos Anéis.

As mudanças ocorreram somente neste mês pelo fato de Superman, Batman e Liga da Justiça, as três principais publicações da editora, atingirem a edição de número 70. Quem também ganha sobrevida são os títulos Novos Titãs, Superman & Batman e Contagem Regressiva.

Essa nova etapa é fruto da má fase que a DC enfrenta nos últimos anos, na qual tem registrado queda nas vendas de suas revistas e recebido críticas de grande parte dos fãs, insatisfeitos com certos rumos tomados nas histórias dos super-heróis da casa.

A estratégia é positiva para a editora, que esperava ganhar novos fãs, e para o público em geral. "Agora os fãs podem acompanhar as novas histórias desde o início, uma vez que elas estão em seu marco inicial", diz Marcelo Adriano da Silva, coordenador de marketing da Panini.




Relacionadas

Nenhuma notícia relacionada

Tags

Nenhuma tag relacionada

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro, clique aqui!

Projetos Especiais