Setecidades

No Macuco, em Mauá, 365 dias se passaram e nada mudou

 Foram 365 dias à espera de dias melhores, mas é como se a vida tivesse estagnado. Isso é o que sente a dona de casa Maria Aparecida Cardoso, 45 anos, que há exatamente um ano relatava ao Diário a angústia de viver em uma das áreas de risco mais emblemáticas da região – o assentamento Chafic/Macuco, no Jardim Zaíra, em Mauá – e fazia um apelo para que o poder público olhasse por aquele espaço.

Foi a poucos metros da casa onde reside que, em 2011, ela viu mãe e filho serem retirados, sem vida, após o barraco deles ser atingido por deslizamento de terra. No ano que acaba, quatro meses atrás, a casa da sobrinha, ao lado da sua, ruiu com uma tempestade. “Foi uma chuva muito rápida, mas veio tão forte, que a casa dela caiu. Felizmente, quando ela viu que a parede cedeu, conseguiu sair com os cinco filhos”, conta. “Por aqui, nada mudou. Aliás, só piorou”, lamenta.

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As únicas mudanças foram as saídas de “quatro, cinco famílias” removidas e algumas intervenções em um parquinho instalado onde existia uma das casas que foram soterradas em 2011.

Após a queda do imóvel da sobrinha, Maria conta que a Defesa Civil alertou que, pelo fato de a casa dela ser contígua à que caiu, poderia haver risco na sua, e indicou que ela poderia entrar com o pedido de auxílio-aluguel. No entanto, diante do valor disponibilizado, não viu meios para abandonar o local.

“A quantia dada (por mês) seria de R$ 400, e a gente não acha nada para alugar por esse preço”, reclama Maria, que teve de deixar o emprego como cuidadora de idosos em um asilo para se dedicar integralmente aos cuidados do filho Carlos Eduardo, 7, que tem deficiência física.

Outro filho, Bruno, 22, também mora com ela. A renda para sustentar a família vem de alguns bicos que consegue fazer e do benefício assistencial Loas (Lei Orgânica da Assistência Social), concedido à criança, no valor de R$ 870, que somam cerca de R$ 1.500. “Os aluguéis estão na faixa de R$ 700, R$ 800. Como vou conseguir manter isso e as demais despesas? Não tem como”, desabafa.

Desde a reportagem publicada em 1º de janeiro de 2017, ela tenta adaptar um banheiro para o filho, no andar térreo da casa, mas não teve condições de prosseguir com a obra.

Se a unidade habitacional na qual foi inscrita para ser contemplada, sete anos atrás, tivesse saído do papel, a questão da acessibilidade e todas as outras estariam resolvidas. O ano já é outro; os desejos, assim como a situação, continuam exatamente os mesmos. “Espero que façam algo de bom por nós.”


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