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Luta por uma vida melhor continua na Rua Rio Esperança

 A família Oliveira segue na luta na humilde casinha no número 36 na Rua Rio Esperança, antiga Rua 1, no Sítio Joaninha, em Diadema. É lá que vivem dona Josefina de Oliveira, 54 anos, baiana de Pau Brasil, o marido Luís Jesus de Oliveira, 68, e a filha Maria Graciela Santos de Oliveira, 34. Equipe do Diário esteve lá há um ano. Do lado de fora, as coisas mudaram um pouco. Não havia rede de esgoto, apesar da cobrança na conta da água. Agora tem e eles podem, finalmente, usar o vaso sanitário. A família diz que as obras na rede foram retomadas pouco depois da visita da reportagem.

Dona Josefina vivia aflita, dizia ser perseguida pela Prefeitura. Segundo a família, a administração alegava que o local onde vivem é área verde e que todos do bairro teriam de deixar suas casas. Josefina garante ter comprado o terreno há mais de duas décadas. Mas esse sufoco passou, segundo ela. A residência foi vistoriada e recebeu adesivo no qual constam a numeração do imóvel, do lote e da quadra. “Agora estou tranquila. Todo mundo pode começar a reformar e melhorar suas casas. Mas ainda falta dinheiro.”

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Além deles, vivem na casa os quatro filhos de Maria: Giovana, 10, Gabriel, 8, Giselle, 5, e a pequena Elisabethe, que está com 1 ano e 9 meses, além de seis gatos. Todas as crianças estão na escola. Giselle, aliás, passou de ano com nota 10 e deixou a casa toda cheia de orgulho. Tem também a animada Sara, 13, prima de Maria, que mora na casa ao lado, mas está sempre por perto. Maria é mãe solteira e vive com auxílio de R$ 241 do programa Bolsa Família.

Do lado de fora, a rua íngreme, que parecia ter sido esquecida, ganhou cascalho e um pouco de asfalto. “Agora até sobe carro”, diz Josefina. Faltam calçadas e os Correios seguem sem levar correspondências.

Pequenas melhorias à parte, muita coisa não mudou. A casinha segue sem piso na cozinha e ainda não deu para colocar chuveiro – seguem no banho frio. Ao lado da casa, ainda há um barranco. Seu Luís, aposentado que recebe um salário mínimo e faz bico pegando garrafas PET, tenta murar, mas a renda nunca é suficiente. Maria continua na busca por um emprego. Sente saudade de quando trabalhava em garagem de ônibus em Santo André. “Limpava os veículos. Lavava os vidros, deixava tudo limpinho para o dia seguinte.”

Apesar das dificuldades, a família sonha com dias melhores. “Tomara que eu arrume um emprego. Quero dar um pouco de conforto para meus filhos e minha mãe”, diz Maria. Entre os sonhos de Josefina e Maria está ver a pequena Giselle fazer curso de estilista. A sonhadora criança, mesmo com poucos lápis de cor, desenha incansavelmente em seu caderninho. “Eu que penso em tudo. Um dia farei moda”, diz.

 


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