Setecidades

Moradores do Santa Cruz, no pós-balsa, ainda estão esquecidos


 Encravado em área de proteção aos mananciais na região do Riacho Grande, em São Bernardo, o núcleo Santa Cruz, no pós-balsa, sofre com infraestrutura deficiente. Tem ruas esburacadas, outras com pedras e de terra, lixo, restos de móveis e até carros abandonados. Apenas uma UBS (Unidade Básica de Saúde) atende a cerca de 20 mil moradores, além de servir como comprovante de endereço a muitos deles.

Em dezembro de 2016, equipe do Diário esteve na região e mostrou a vida de duas famílias. Um ano depois, a volta ao vilarejo atesta que a realidade contada na edição de 1º de janeiro de 2017 continua perversa. Para uma das famílias, piorou.

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Samuel Penha Martins, 20 anos, Bruna Elem, 24, três filhos (dois deles de outro relacionamento dela) e Ana Carolina Nunes Silva, 21 e gestante, prima de Samuel, não moram mais na casa visitada na Estrada do Rio Acima. Na época, estavam todos desempregados. Samuel fazia bicos para prover a residência, inclusive o aluguel, de R$ 500. Vizinhos informam que o casal se mudou.

No imóvel, vivem há quatro meses o aposentado Adenilson Jorge Nascimento, 77, sua mulher, Joana D’Arc da Silva, 56, e os dois filhos, Marco Jorge Nascimento, 21, e Ana Paula Silva Nascimento, 25. Ninguém trabalha. A família sobrevive com o benefício do progenitor. A filha cuida da mãe, acamada. Em relação ao Santa Cruz, as lamúrias de Adenilson igualam-se às dos ex-moradores. “Ninguém fez nada aqui. Asfalto nem pensar. A água e a luz continuam ‘do gato’.”

Já para a outra família, a de Maria da Graça Valadares, 55, a situação piorou. Aumentou o número de habitantes no lar e a renda encurtou. Antes dividindo o básico com um dos filhos, a nora e três netos, hoje o outro filho, livre da cadeia, a mulher dele e duas crianças também moram com dona Maria Pretinha, como é chamada. Três do cinco cachorros morreram, mas ela já arrumou outros dois e dois gatos. Vivem com R$ 900 de pensão pela morte do marido.

Quando da visita, Maria Pretinha tomava café aproveitando o sol da manhã, ao lado da escada para subir à residência, que ganhou cimentado, assim como a varanda. Sobre os velhos problemas, ela perde o sorriso e, desanimada, conta que persistem. “A rua continua sem asfalto. Quando chove tem barro que suja tudo, e falta água direto.”

Sidney Valadares Araújo, 27, o novo filho no lar, cumpriu pena por se “envolver em coisas erradas”. Faz bicos de ajudante geral para ajudar a mãe e manter a mulher, Kelly Cristina Silva Rocha, 18, gestante de sete meses de Alice, e o outro filho, Miguel, 1 ano e 8 meses. “De melhor aqui (no Santa Cruz) não tem nada.”

Mas Maria Pretinha, que diz ter vergonha das condições da minúscula casa, garante que está feliz com a proximidade da família. “Cabe todo mundo, igual coração de mãe.”

 

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