Setecidades

Em Sto.André, vida muda com emprego


 Exatamente um ano atrás, um dos pedidos de Mileide Aguiar dos Santos, 35, para o ano que se iniciava, era conquistar um emprego que permitisse renda fixa para o sustento da família. Afinal, para a moradora do bairro Sítio dos Vianas, em Santo André, o trabalho como coletora de materiais recicláveis não lhe dava a segurança de que teria o dinheiro para suprir, ao menos, as necessidades básicas.

E ela não precisou esperar muito para que seu sonho virasse realidade. Em fevereiro de 2017, passou a atuar como ajudante de cozinha no Instituto A Casa do Jardim, entidade andreense que atende 90 crianças e adolescentes residentes em áreas periféricas da cidade, oferecendo atividades no contraturno escolar. É onde o filho caçula, Kaue, 13, participa de diversas ações e, ao saber da vaga de emprego, não hesitou em avisar a mãe. “Não é registrado, mas agora tenho renda certa, o que não acontecia quando ia para as ruas pegar material para vender para reciclagem”, conta Mileide, que ganha R$ 500 por mês.

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Com a melhora na situação da economia, a entidade, que também ajuda as famílias dos pequenos e jovens que atende, voltou a receber doações de alimentos em nível satisfatório e, atualmente, a despensa de Mileide está abastecida. Assim, garante as refeições dos dois filhos, da irmã (dona da casa em que mora) e duas sobrinhas, além do ex-marido, que, apesar da separação há seis meses, continua na casa.

Para complementar a renda familiar, Kaue, que improvisava bazar na rua de casa, com roupas, sapatos e brinquedos cedidos pela instituição, expandiu os negócios. Agora dedica-se também à venda de bicicletas que, depois de consertadas, ficam como novas, e de gelinho em vários sabores.

A vida profissional mudou, mas o que não está na alçada da família e sim do poder público permanece igual. Há um ano, quando a equipe do Diário conversou com Mileide, ela lamentava a situação de imóvel próximo à sua casa, situado no entorno da Praça da Árvore e onde deveria ser uma USF (Unidade de Saúde da Família), mas já estava abandonado há cinco anos. O prédio, que poderia prestar atendimento à população, continua esquecido. “Tem até gente morando lá”, relata. A unidade de Saúde mais próxima fica a quase dois quilômetros, na Vila Luzita.

À época da primeira reportagem, Kaue aguardava havia três anos por uma endoscopia para saber se tem a mesma doença do irmão Aidan, 16, que é celíaco (tem intolerância radical ao glúten). “Até hoje não saiu”, lamenta Mileide.

Mas, no que depender de Mileide, ela projeta mais mudanças para o ano que se inicia. “Quero arrumar outro emprego para poder ganhar mais e comprar os alimentos especiais que meu filho precisa. E também conseguir um barraco, pois estou em um espaço que é da minha irmã.”

 

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