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Jovens realizam sonho de cursar Medicina por meio de bolsas de estudo

 O sonho de 150 jovens deu, ontem, o primeiro passo à realidade, quando foram iniciadas as aulas do curso de Medicina, nos campus da Uninove (Universidade Nove de Julho) em São Bernardo (com turma de 100 alunos) e Mauá (com 50 estudantes). A iniciativa faz parte do edital do Programa Mais Médicos, do governo federal, que visa estimular a medicina da Saúde da Família.

Para alguns, como Daniela Ferreira Soares da Silva, 22 anos, moradora do bairro dos Casa, em São Bernardo, o desejo de virar doutora e poder cuidar das pessoas parecia inalcançável, devido ao alto custo do curso, que chega a R$ 8.000 mensais. Filha de pai aposentado e de dona de casa, ela vinha estudando há cinco anos e meio para tentar ingressar em faculdade pública. “Essa bolsa foi a salvação para a realização do meu sonho”, conta ela, uma dos seis moradores da cidade que conseguiram bolsa de estudo integral (em um total de dez).

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“Poderei não só salvar vidas, como colaborar com a melhoria do atendimento médico no meu município”, completa.

Larissa Rosario Magalhães, 23, do Parque Anchieta, achava que nunca conseguiria se formar na profissão que tanto sonhava, até também conquistar a bolsa. “Espero exercer a medicina com foco em atenção digna e respeitosa, e devolver para o meu município todo o conhecimento que eu obtiver”, fala.

A prioridade nos estudos sempre permitiu que Filipe Pacheco, do Jardim Zaíra, em Mauá, estudasse em colégios particulares com as bolsas de estudo que conseguia com sua determinação. E o ingresso ao agora Ensino Superior não haveria de ser diferente. O jovem vive com os pais em uma instituição – onde são voluntários – que realiza trabalho de prevenção às drogas com crianças e adolescentes. Fez um ano de cursinho pago com a ajuda de amigos, lia livros de Biologia, que lhe eram doados e passava metade dos dias na biblioteca da cidade se aprofundando em conteúdo. Conquistou uma das duas bolsas integrais ofertadas no município. “Ouvi Deus falando que eu deveria ser médico. Nasci dentro do voluntariado e quero morrer dentro dele. Agora que terei salário, vou conseguir fazer muito mais para ajudar as pessoas”, projeta.

Lindolfo Soares de Araújo, 27, do Parque das Américas, sempre estudou em escola pública e, inicialmente, queria ser arquiteto para poder construir uma casa melhor para família (ele divide apenas três cômodos com os pais e mais três irmãos). Chegou a fazer, com bolsa de estudos, até o último ano do curso, mas ao ingressar na rede de Saúde como agente administrativo, após passar em concurso público, viu que era a medicina que lhe traria satisfação. “O retorno e o carinho que comecei a ter, principalmente dos pacientes, mudaram minha percepção sobre minha trajetória”, lembra ele, que conseguiu a bolsa na Uninove com a nota máxima da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014.

Na próxima semana, os alunos das duas unidades começarão a ter contato com os equipamentos da rede pública. “Uma das finalidades desse curso é fixar o médico na região”, ressalta o coordenador do curso em São Bernardo, Erivelto Volpi.

“Mauá tem 0,18 médico para cada 1.000 habitantes. Aí vemos a importância social do curso. Vai transformar”, acredita o coordenador da graduação no campus mauaense, Cristiano Gomes.  


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