Política

FHC diz que gasto de R$ 10 mi em Hannover é 'modesto'

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira estar "orgulhoso" do pavilhao do Brasil na Expo 2000, em Hannover, na Alemanha, considerou-o "muito criativo" e classificou de "bastante modesto" o custo da obra de US$ 10 milhoes, se comparado a outros pavilhoes da feira. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, foi um dos responsáveis pela obra do pavilhao brasileiro. As críticas da imprensa irritaram a família Cardoso. "Temos de levar em conta o objetivo do gasto, e nao só o total de recursos empregados", reagiu a primeira-dama Ruth. "Nao achei muito", disse ela. "Gostei de tudo", elogiou.

Já Paulo Henrique disse que "as redaçoes cometeram um crime contra o Brasil". Ele foi cobrado sobre a falta de identificaçao do espaço brasileiro: uma bandeira ou o nome do país em destaque. Segundo ele, o site do Brasil estava escrito no chao do pavilhao. Em seguida, assegurou que esta providência estava para ser tomada. "O Brasil nao poderia deixar de mostrar o que ele é, sem exibicionismo, sem esconder seus problemas, mas também nao pode fazer como avestruz, meter a cabeça na areia", disse em entrevista.

Fernando Henrique percorreu todo o pavilhao e tirou fotos ao lado da modelo Valéria Valenssa, a Globeleza. Também visitou o estande vizinho, da Argentina, que gastou U$ 2,7 milhoes nos dois mil metros de área, e assistiu a um show de tango. Na entrada, bandeiras da Argentina e do Brasil, em homenagem ao visitante. Antes de ir embora, passou pelo também vizinho estande da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.

O pavilhao, de 200 metros, de acordo com o vice-presidente da Câmara, Thomaz Timm, custou R$ 3 milhoes. "Todos pagos pela iniciativa privada", garantiu Timm. Em seu último dia de viagem a Hannover, o presidente chegou atrasado 15 minutos ao principal evento do dia, a inauguraçao da Expo 2000, quando já estava sendo realizado o terceiro discurso, mas ainda a tempo de ajudar a cortar a fita. Fernando Henrique percorreu boa parte da feira a pé e até se encontrou com artistas que faziam uma performance. Quando comentaram com ele que ali também tinha manifestaçao, o presidente brincou: "Nao é contra mim, nao tem problema."

Discurso - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista coletiva concedida nesta quinta, em Hannover, Alemanha, onde participou da abertura da Expo 2000, que considera compreensível o desejo dos brasileiros de que o presidente da República se envolva nos programas de combate à violência, no país, conforme pesquisa divulgada nesta quarta pela Confederaçao Nacional da Indústria (CNI). Ele disse, no entanto, que sempre teve o cuidado de tomar decisoes que possam parecer interferência em outros poderes.

Segundo ele, nao se pode imaginar o presidente subindo o morro e que outras forças, que nao a polícia, o faça.

Fernando Henrique disse que está mobilizando a discussao de políticas de combate a violência e que já conversou com alguns governadores. Na opiniao do presidente, esse assunto é demasiadamente sério para parecer um lance eleitoral. Ele reconhece que o país está despreparado para combater o narcotráfico. "Nao se trata simplesmente de prender", afirmou o presidente, lembrando que algumas polícias até matam e que por isso deve haver uma mudança na cultura dos que trabalham no serviço de segurança do país.

Forças Armadas - FHC voltou a descartar a atuaçao das Forças Armadas no combate a violência. As Forças Armadas, segundo o presidente, estao voltadas para a defesa da Amazônia, com 15 mil quilômetros de fronteira que precisam ser guarnecidos. "Uma coisa é guarnecer fronteira e outra é agir como polícia. O Exército nao tem treinamento para isso, nem para distúrbios de massa. Nao se pode confundir alho com bugalho", disse o presidente.

O presidente informou que até o final do seu governo pretende regulamentar a Lei do Abate que permite a derrubada de avioes, no caso de invasao do espaço aéreo.

Terceiro mandato - Fernando Henrique Cardoso nao quis comentar as eleiçoes realizadas no Peru. Para ele, o terceiro mandato de Alberto Fujimori no Peru é um problema peruano; mas a manutençao da democracia "é um problema do mundo". O presidente lembrou que tecnicamente a Organizaçao dos Estados Americanos (OEA) disse que poderia haver eleiçao no Peru.

"Nao julgo se ele (Fujimori) deve se candidar pela terceira vez. Eu asseguro que nao me candidatarei mais", disse o presidente.

Atraso - O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou com 15 minutos de atraso à abertura oficial da Expo 2000 em Hannover, Alemanha. Ele visitou os pavilhoes da Africa e da Alemanha, e disse que as feiras internacionais representam um entrosamento importante na luta contra a pobreza. O presidente reúne-se com o premiê alemao, Gerard Schroder e em seguida concederá entrevista coletiva. As 10h30 (hora de Brasília) o presidente embarcou para Berlim.


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