
Policiais da Delegacia de Meio Ambiente de São Bernardo fecharam uma loja clandestina que vendia fogos de artifício na Avenida Moinho Fabrini, Jardim Brasília, em São Bernardo.
A denúncia partiu de um fiscal da Prefeitura que passou pelo local em janeiro e desconfiou do trailer em frente à casa número 1.076. O delegado titular da Delegacia de Meio Ambiente, Victor Lutti, conta que ficou sabendo da suspeita na semana passada e foi montada uma operação na manhã de ontem para averiguar o fato. "Nossos investigadores montaram uma campana no local e flagraram a venda ilegal."
Foram encontrados cerca de 50 quilos de fogos de artifício. Entre o material apreendido estavam 240 rojões de três tiros e 52 caixas de morteiros de 11, 13, 23 e 25 tiros, entre outros produtos. "Estava tudo guardado no banheiro. Um local completamente inadequado e perigoso, já que a fiação é de 220 volts", alerta o delegado.
NÃO SABIA DO PERIGO - O dono do material - e também proprietário da casa -, o serralheiro Élcio de Oliveira, 45 anos, alegou não saber do perigo de armazenar fogos nessa quantidade. "Comprei para vender e ganhar um dinherinho a mais. Não sabia dos riscos."
A fachada para a venda de fogos era um trailer montado em frente à casa para a comercialização de pipas que funcionava também sem alvará da Prefeitura. Oliveira vai responder por posse ilegal de explosivos e, se condenado, pode pegar até dois anos de detenção e pagamento de multa.
VIZINHOS - A apreensão dos fogos chamou a atenção dos vizinhos, embora alguns já soubessem da venda irregular do material. "Sabia que ele vendia porque via o movimento. Mas, não imaginava que tinha tanta coisa guardada lá. Que perigo que estávamos correndo", diz um aposententado que não quis se identificar. Outra mulher ficou surpresa pois não desconfiava de nada. "Pensei que vendesse só pipas. Imagina se acontece aqui o mesmo que ocorreu em Santo André", disse se referindo à explosão da casa de fogos de Sandro Luiz Castellani, na Vila Pires, no ano passado.
NORMAS - De acordo com o delegado Victor Lutti, "no momento, apenas duas casas de fogos em São Bernardo estão autorizadas a comercializar o produto."
Para armazenar e vender fogos são necessários documentos expedidos pela Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Prefeitura. "A gente envia investigadores para verificar se o local tem condições de funcionar com esse tipo de produto. Analisamos se há extintores, quem são os vizinhos, se o lugar onde os fogos ficam armazenados é composto por laje, a fiação; e só depois emitimos o laudo aprovando ou não", afirma.