Diário do Grande ABC

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domingo, 7 de fevereiro de 2010 12:57

Aids ainda mata

Do Diário do Grande ABC

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Sim, a Aids continua matando e a camisinha ainda é a melhor forma de prevenir o contágio do vírus HIV. Apesar disso, tem gente que faz sexo sem responsabilidade, mesmo sabendo dos riscos. Preocupado com o número crescente de contágio entre meninas de 13 a 19 anos, o Ministério da Saúde vai focar a campanha de Carnaval 2010 nesse público. Cerca de 1,2 bilhão de preservativos serão distribuídos durante o evento.

Desde 1998, vem sendo registrados mais casos entre as garotas de 13 a 19 anos do que em garotos da mesma idade. Atualmente, a cada seis meninos infectados, há dez meninas. Há 11 anos, eram dez mulheres para cada 15 homens.

A explicação, segundo especialistas, é que depois que o namoro fica sério, a camisinha é deixada de lado, e as meninas não conseguem mais convencer os garotos a usar. "Não é falta de informação, mas para muitos adolescentes a prevenção não é importante. A maioria nem exige camisinha", explica Ricardo Martins, psicólogo do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids. Para não colocar a culpa na falta de informação, o D+ entrevistou o infectologista Valter Pinho dos Santos, da Fundação ABC. Confira:

Por que são distribuídas camisinhas no Carnaval?
A conscientização deveria ser constante. Mas a época do Carnaval é considerada de maior liberalidade e de muito contato entre as pessoas, favorecendo a transmissão de doenças sexuais quando medidas preventivas não são adotadas.

Por que cada vez mais meninas estão pegando Aids?
O aumento, assim como o de adolescentes grávidas, demonstra que o uso de camisinha e métodos anticoncepcionais deixam a desejar. Além disso, o trato genital feminino é mais susceptível à infecção pelo HIV do que o masculino.

Do que mais protege?
Protege contra hepatite B, hepatite C, sífilis, cancro moli e gonorréia.

Quais outras formas de contágio?
O HIV pode ser transmitido pelo compartilhamento de seringa no uso de drogas, sexo oral e da mãe para o filho na gestação, no parto e na amamentação.

Quanto tempo depois da relação pode-se fazer o teste?
A partir de sete dias, com maior confiabilidade após 30 dias. O teste é muito sensível.

Hoje ainda se morre de Aids?
Os adequadamente tratados, em geral, apresentam boa qualidade de vida, mas podem ter intercorrências e não responder à medicação. Infelizmente muitos morrem por causa de infecções pelo HIV.


A vida muda para sempre

Quem vê Valéria Piassa Polizzi, 38 anos, jornalista e escritora, não desconfia que ela tem de tomar 12 comprimidos por dia, fazer exames regulares e que ainda sofre com os efeitos causados pelos remédios. "Eu vivo, mas não dá para esquecer", conta Valéria, soropositiva há 22 anos. Ela se infectou com o vírus HIV aos 16 anos com o namorado. "Ele era um príncipe encantado", diz. Apesar de ter aprendido sobre doenças sexualmente transmissíveis nas aulas de biologia, na época, acreditava que era doença de homosexuais e garotas de programa. "Foi difícil quando adoeci."

Valéria afirma que as escolas deveriam ensinar mais sobre o assunto e que os pais também devem alertar os filhos sobre os riscos de contágio da Aids, DST e gravidez precoce. "Não adianta só dar uma palestra por ano, é preciso tirar todas as dúvidas. Quanto mais o adolescente sabe sobre o tema, mais vai tentar segurar a ansiedade de transar." A escritora também diz que a responsabilidade é do casal, por isso, deve-se tomar providências juntos.

"A melhor coisa é os dois fazerem exame de Aids periodicamente e, claro, usar camisinha sempre." Valéria já foi casada e sempre conta para os parceiros sua história. "Eles têm o direito de saber, mas respeito quem não quer falar."

Quer saber mais sobre a vida de Valéria? Leia Depois Daquela Viagem (Ática, 279 págs., R$ 28) e acesse o blog valeriapiassapolizzi.blogspot.com

Assim pega
Sexo vaginal, anal e oral sem camisinha
Seringa ou agulha usada por quem está contaminado
Transfusão de sangue contaminado
Mãe infectada pode passar para o filho na gravidez, parto e amamentação
Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados

Assim não pega
Relação sexual, desde que se use corretamente a camisinha
Masturbação a dois
Beijo no rosto ou na boca
Suor e lágrima
Picada de inseto
Abraço e aperto de mão
Assento de ônibus
Piscina, banheiro e pelo ar
Doação de sangue
Uso compartilhado de talher, copo, sabonete, toalha, lençol




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