Lembro daqueles dias como se fossem ontem. Hoje posso me colocar como uma garota realizada, mas nem sempre foi assim. Sofri muito, chorei muito, fiz muitas bobagens e hoje eu sei que nada daquilo valeu a pena. Amadureci muito em pouco tempo.
Desde os 12 anos foi assim. Foram três anos de mágoa, não tinha muitos amigos - eram, no máximo, um ou dois. Nesse tempo descobri as pessoas ruins que existem no mundo. Nunca fui tão humilhada e tão desprezada. Nunca me senti tão para baixo como naquela época. O tempo foi passando e eu só piorava. Não me cuidava, só chorava e não queria sair de casa. Sabia que isso era muito ruim para mim.
Meus pais pensavam que era coisa de adolescente, mas eu sabia que tinha algo a mais e não podia contar e nem me encostar em ninguém. Essa foi a pior época da minha vida.
Certa vez, alguém me disse: "Você é um caso impossível de ser resolvido, nem com plástica". Cheguei até a ser proibida de participar das aulas de Educação Física pelos meninos da minha sala.
Desde o início do ano, mudei para melhor. Consegui manter aquela base e sabia que estava me fortalecendo. Mas, foi em vão. Aconteceu de novo e consegui me recuperar, mas as consequências foram imensas.
Hoje sei o que eu quero da minha vida. Tenho amigos que eu nunca tive, conheci pessoas incríveis que eu nunca mais vou esquecer. Agora estou encontrando a felicidade e lutando comigo mesma para não cair em depressão de novo, mas sei que só por deixá-la quieta, posso me considerar uma vencedora.
Faz um tempinho que eu comecei a escrever. Percebi que me expressar e colocar as palavras no papel ajudam a resolver todos os meus problemas. Tenho um diário, amigo inseparável.
Também tenho alguns textos no computador, mas prefiro deixá-los só comigo, pelo menos, por enquanto. Um dia gostaria muito de ter coragem de mostrar para alguém, dividir a minha imaginação.
Larissa Barbosa Pereira, 16 anos, Mauá