Diário do Grande ABC

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domingo, 31 de janeiro de 2010 7:50

Carnaval gera empregos e bicos na região

Deborah Moreira
Do Diário do Grande ABC

2 comentário(s)

O Carnaval se tornou fonte principal de renda para muitos profissionais na região. Para eles, a festa começa mais cedo. A renda mensal, com o trabalho desenvolvido durante quase metade do ano, gira em torno de R$ 1.200 a R$ 2.000.

Denise Ribeiro, 30 anos, moradora do bairro Zaíra 2, em Mauá, é um desses profissionais. Junto com a mãe e o pai, é responsável pela confecção das faixas de todas as cortes carnavalescas do Grande ABC. "A ideia surgiu quando eu era rainha da corte de São Caetano, em 2000 e 2001. As faixas tinham poucos enfeites e ganhavam um toque especial da minha mãe", contou Denise, que já foi rainha de bateria da escola de samba Flor do Morro por 14 anos.

Foi em 2004 que sua mãe, Aparecida Rodrigues Ribeiro, 50, foi procurada de última hora para fazer uma faixa de rainha de bateria de uma agremiação. O trabalho ganhou elogios, e logo Dona Cida, como é conhecida, passou a ser requisitada para a confecção de outras faixas. Depois, passou a fazer também os pavilhões - bandeiras oficiais das escolas de samba que levam cerca de dez dias para ficar prontas.

Já o material para uma corte inteira, que precisa normalmente de sete a dez faixas, leva em torno de três dias para ser confeccionado.

"Dependendo da quantidade, damos um prazo de entrega maior, de até 40 dias. Nesta casa se vive o samba o ano inteiro. Recebemos visitantes o tempo todo, que vêm aqui para contar histórias e pedir conselhos ao meu marido", declarou Dona Cida, que trabalha como costureira e bordadeira.

Ela é casada com Nenê Berruga, 53, um dos fundadores da escola de samba Flor do Morro e da Uesma (União das Escolas de Samba de Mauá). Também compositor, ele ajuda a elaborar as faixas e pavilhões.

Neste ano, Denise espera ter um rendimento de cerca de R$ 7.000 em fevereiro. "Nos outros meses, vou recebendo picado. Tenho uma renda de mais ou menos R$ 1.200 ao mês, e cerca de R$ 500 vêm do Carnaval", contou a ex-rainha.

Negócio de irmãos - O ex-metalúrgico Neivaldo Alves da Silva, 47, conhecido como Vado, é morador da Cidade São Jorge, em Santo André, e mantém-se há dez anos às custas do trabalho que desenvolve com arame junto com seu irmão, Antonio Alves da Silva, 45, o Tó.

As armações criadas por Vado e produzidas por Tó dão forma às fantasias das escolas de samba. "Era integrante da São Jorge e no início ajudei a economizar R$ 4.500 para a escola. Depois, compramos uma máquina de soldar e fui me aperfeiçoando. Logo outras escolas começaram a pedir o serviço", lembrou Vado, que precisou deixar a agremiação há alguns anos para ganhar a confiança dos concorrentes.

O trabalho, que começa em julho, rende aos irmãos cerca de R$ 150 mil ao ano e exige a contratação de dois ajudantes. "Fazemos contratos. No início tivemos muito prejuízo e agora até selecionados os clientes", explicou Tó.

Assessora parlamentar muda de vida pela festa
Ex-assessora parlamentar, a carnavalesca Patrícia Quirino, 39 anos, ajudou a fundar a escola de samba Acadêmicos de Vila Vivaldi, em São Bernardo, em 2004. Depois disso, não saiu mais do Carnaval. Quatro anos depois, já é responsável pelo desfile da agremiação.

Em 2009, além do Carnaval de sua escola do coração, realizou o desfile da Arcia de Atibaia. E em meados do ano passado, trocou definitivamente os gabinetes políticos pelos barracões.

"É muita responsabilidade. Preciso de tempo para me dedicar", contou Patrícia. Porém, a carnavalesca piloteira, como se define profissionalmente, não faz contratos."Sou budista e por isso acredito na gratidão das pessoas. Atualmente, duas escolas me mantêm financeiramente: a Arcia e a Unidos da Vila, de Porangaba (no Interior)", explicou.

Ela colabora ainda com outras três agremiações menores e tem conseguido rendimento médio mensal de R$ 2.000. "Eu não sou paga pela Vivaldi, que é onde eu desenvolvi minha arte. A Vivaldi é o meu espelho", contou com os olhos cheios de lágrimas. Entre dezembro e janeiro, 38 pessoas trabalharam para ela.

Xepa no Anhembi - Entre os segredos para conseguir fazer belos carnavais, Patrícia usa a reciclagem. A carnavalesca contou que considera tudo reaproveitável nos desfiles. Por isso, não abre mão de ir ao Anhembi todos os anos, no fim do desfile das campeãs de São Paulo, quando muitas fantasias e adereços são jogados no chão. E admite que faz a "xepa" na avenida paulistana.

"Vale muito a pena ir. Vamos em turma, para pegar o máximo de material que encontramos pela frente", disse. O trabalho de Patrícia começa nas terça-feiras de Carnaval, ainda na avenida, logo após os desfiles, quando inicia a triagem do que é possível aproveitar para a próxima festa.




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Comentários

bira

02/02/2011 às 9:49

faço armações em arame para cúpulas e luminárias e aramados para fantasias de carnaval procuro parceria 011 47831329

Este comentário não representa a opinião do Diário do Grande ABC, a responsabilidade é do autor da mensagem.

allan

11/08/2010 22:02

Achei a reportagem muito interesante e muito proveitosa pra toda regiao .

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