O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, decretou nesta sexta-feira estado de alerta nas 87 áreas de risco da cidade e deu início ao processo de remoção de 164 famílias residentes em locais considerados prioritários, como Vila São Pedro, núcleos Biquinha e Novo Horizonte, Pedreira e Jardim Regina. Essas pessoas serão comunicadas até domingo sobre a necessidade de deixar suas casas.
No total, o município tem pelo menos 1.873 famílias em situação de risco, mas neste primeiro momento a atenção da prefeitura será voltada principalmente para retirar as 164 que moram em áreas mais urgentes, de nível 4 (numa escala que varia de 1 a 4, o nível máximo é o de maior risco).
Essas 164 famílias serão encaminhadas a abrigos, casa de parentes ou receberão um auxílio-aluguel de R$ 315, que faz parte do programa Renda-Abrigo. Na sequência, seus imóveis serão destruídos e será feita fiscalização para que as áreas não sejam reocupadas. O próximo passo será incluí-las no programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal.
O prefeito disse que seu objetivo é evitar mais mortes, como as ocorridas na última quarta-feira, quando uma menina de 10 anos não sobreviveu a um soterramento na Vila São José. "Estamos buscando isso: como preservar vidas. Não é possível evitar o excesso de chuvas, mas é possível trabalhar de forma preventiva", declarou.
Alerta sai de casa - A Prefeitura também anunciou a criação da operação "Alerta sai de casa", que tem o objetivo de informar todos os que moram nas áreas de risco sobre a necessidade de deixar suas residências em caso de chuva forte.
Fazem parte da ação: reunião com as lideranças regionais, uso de carros de som para alerta e distribuição de folhetos informativos. Os panfletos mostram como identificar o risco de deslizamento e indicam para onde as pessoas devem ir em caso de emergência, refúgio ou abrigo.
Os refúgios são locais em que as pessoas podem permanecer em caso de chuva forte. Cada área de risco tem um refúgio indicado pela prefeitura, na maior parte dos casos uma Sociedade de Amigos do Bairro. Já os abrigos são as estruturas voltadas para as famílias e seus pertences. Neste momento, já está ativo, por exemplo, o Abrigo do Crec da Vila São Pedro.
Como parte da campanha de informação, as casas de risco 1, 2 e 3 estão sendo pintadas, para que os moradores saibam sobre o risco presente no local. No caso do nível 1 (menos grave) a cor usada é a preta; nível 2, laranja; nível 3, vermelha (as casas de nível 4, vale lembrar, estão sendo removidas).
Outras medidas - Além das moradias precárias, a Prefeitura anunciou ações em outros setores como inundações, queda de árvores e limpeza viária. A cidade informou ter limpado, até novembro do ano passado, as 3 mil bocas-de-lobo existentes na cidade. Além disso, a equipe de Defesa Civil está mobilizada, e atendeu somente ontem a 82 pedidos de retirada de árvores.