Bens públicos estão se tornando barganha nas mãos de algumas administrações. Ruas, consideradas bens públicos, foram doadas também pela prefeitura de Americana, no interior do Estado, a uma empresa privada.
Em abril, um projeto de lei do Poder Executivo, aprovado na Câmara pela maioria dos vereadores, previa a doação das ruas Orozimbo Machado e Fernúcio Astorri, na região de São Vito, para a empresa Neotextil Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda.
Na proposta consta a contrapartida da indústria para a prefeitura em troca das duas vias: a empresa doou ao município uma ambulância, fez reformas em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e em uma creche, além de criar 60 empregos.
Na ocasião, os vereadores posicionaram favoravelmente à geração de vagas e renda no município, mas queriam certificar-se de que a população de Americana, em especial dos bairros envolvidos, não seria prejudicada com a aprovação da venda das ruas.
As vias, que foram fechadas após a aprovação do projeto de lei, estão sendo usadas pela Neotextil, que pretende trazer para Americana a produção do parque têxtil, atualmente, instalado em Itatiba (também no interior do Estado).
Porém, a população ainda não se conforma com a atitude da Prefeitura e de seus vereadores. Pedestres e veículos não podem utilizar as vias,interditadas com arame. trazendo transtornos para tráfego e comércio local.
Moradores chegaram a alertar sobre as consequências de a empresa fechar as vias, que são perpendiculares - uma cruza com a outra, formando uma cruz - ,como desviar e percorrer caminhos mais longos para chegar aos locais.
Um dos motivos que fez Americana trocar vias públicas por serviços essenciais (obrigação do Executivo) foi o medo de a empresa Neotextil, com faturamento anual de cerca de R$ 65 milhões, deixar o município. O fato provocaria redução na arrecadação de taxas e tributos que beneficiam o município.