Depois de desistir de retomar o curso de Turismo na Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), Geisy Arruda, 20 anos, que foi hostilizada pelos colegas por usar um vestido curto, afirmou nesta quinta-feira que agora pretende se dedicar ao Carnaval. A jovem irá amanhã ao Rio de Janeiro para se apresentar à escola de samba Porto da Pedra.
A estudante conversou com a imprensa após ser ouvida durante cerca de 3 horas pela delegada Ângela de Andrade Ferreira Ballarini, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Bernardo. "Estou aproveitando todas as oportunidades que aparecem, apesar delas serem fruto de uma coisa ruim", afirmou.
Sem o compromisso com a universidade, Geisy disse que pretende voltar a malhar para não fazer feio na Sapucaí. A universitária desfilará como destaque de um carro alegórico da Porto da Pedra e usará um "vestido vermelho bem curto e cheio de pedrinhas", contou.
Depoimento - Em seu depoimento, Geisy afirmou que uma discussão ocorrida entre o irmão de uma colega de classe e um segurança da Uniban causou o tumulto do lado de fora da sala de aula. De acordo com a jovem, o bate-boca chamou a atenção dos demais alunos, que se aglomeraram nos corredores para acompanhar a briga.
Segundo o advogado da Uniban, Vicente Cassioni, o depoimento de Geisy reforça a tese de que a confusão instaurada na universidade não foi originada pelo vestido curto da estudante, e sim pelo desentendimento envolvendo o segurança.
A delegada Ângela Ballarini abriu um inquérito no último dia 9 para investigar as ofensas feitas à aluna dentro da universidade. Os advogados de Geisy registraram a ocorrência pelo crime de injúria, caracterizado quando se ofende a dignidade ou decoro de alguém.
No último dia 18, a estudante Paola Cristina Fernandes, colega de Geisy, foi ouvida pela delegada e, durante aproximadamente três horas, confirmou a história de que a jovem foi xingada e ameaçada por centenas de pessoas e precisou de reforço da Polícia Militar para sair do campus.