A estudante Geisy Arruda, 20 anos, que foi hostilizada por colegas por usar um vestido curto, disse nesta quarta-feira que não quer mais voltar a estudar na Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo). Segundo a jovem, além do constrangimento a que foi submetida, a universidade não tem se manifestado no intuito de ajudá-la a concluir o ano letivo. "Meus advogados estão tentando negociar de diversas formas, mas eles (a Uniban) não retornam aos pedidos", afirmou.
Além do receio de enfrentar novamente os alunos que causaram o tumulto, Geisy disse que tem medo de não conseguir ser aprovada nos exames. "Mesmo que eu conseguisse fazer as provas, seria bem difícil, pois perdi muito conteúdo e as explicações dos professores."
A estudante também afirmou que, entre as estratégias da defesa, está o pedido do ressarcimento de todas as mensalidades pagas durante o período que ela não pôde estudar. Além disso, os advogados entraram com uma ação na Justiça solicitando as imagens gravadas pelas câmeras de segurança da universidade.
"Precisamos dessas imagens para servirem de base para minha defesa. É difícil seguir com o processo sem identificar as pessoas que me agrediram", destacou a estudante.
Depoimento - Geisy vai prestar depoimento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Bernardo às 13h30 desta quinta-feira. A informação foi confirmada hoje pelo advogado dela, Nehemias Domingos de Melo.
A DDM abriu um inquérito no último dia 9 para investigar as ofensas feitas à estudante dentro da universidade. Os advogados de Geisy registraram a ocorrência pelo crime de injúria, caracterizado quando se ofende a dignidade ou decoro de alguém.
No último dia 18, a estudante Paola Cristina Fernandes, colega de Geisy, prestou depoimento. Durante aproximadamente três horas, a jovem confirmou a história contada pela amiga, que foi xingada e ameaçada por centenas de pessoas e precisou de reforço da Polícia Militar para sair do campus.
Desde o tumulto, ocorrido no dia 22 de outubro, Geisy não retornou à universidade. O episódio foi filmado por outros estudantes e as imagens caíram na internet.
Depois do incidente, a Uniban abriu uma sindicância interna para apurar o que de fato ocorreu e acabou expulsando a jovem. No entanto, a decisão foi revogada dois dias depois.