Até o fim do ano, estará disponível no mercado brasileiro um teste genético para detectar a chance de uma pessoa ficar careca. A novidade foi apresentada na última Radesp (Reunião Anual dos Dermatologistas de São Paulo), realizada semana passada em São José do Rio Preto (no Interior).
Estima-se que o exame, criado pela empresa norte-americana HairDX, custará entre R$ 700 e R$ 800 e poderá ser feito no consultório do dermatologista. O médico usará uma espécie de cotonete para colher uma amostra da mucosa bucal do paciente, na parte interior da bochecha. O material será enviado para um laboratório nos Estados Unidos, que devolverá o resultado dentro de, no máximo, um mês.
O teste avalia o gene AR (sigla, em inglês, para receptor androgênico) presente no cromossomo sexual X - nos homens ele forma par com o cromossomo Y e nas mulheres é duplicado. Se o resultado desta análise for positiva para a chamada variante G, o homem tem 70% de chance de desenvolver a calvície. Nas mulheres, é checada a repetição nas bases da cadeia de DNA.
"O objetivo é ter um diagnóstico o mais breve possível para poder entrar com o tratamento", avalia o dermatologista Arthur Tykocinski, especialista em transplante capilar. "A calvície só se torna visível quando o paciente perdeu cerca de 50% do cabelo. E o tratamento só interrompe a queda. Por isso, o exame é tão importante."
Diagnóstico rápido pode evitar realização de implante capilar
"Se esse exame existisse quando comecei a ficar calvo, teria feito com certeza”, diz o empresário Leo Godoy Otero, 47 anos, que já fez dois implantes capilares. “De repente, se tivesse descoberto cedo, fazia um tratamento e resolvia meu problema”, afirma.
O empresário diz que não “tinha como escapar” da calvície, por conta do histórico familiar: “Meu pai era careca, meu avô, meus primos. E dos dois lados da família. Não tinha jeito”, brinca. Leo lembra que começou a perder cabelo na adolescência, mas que o problema maior foi aos 40 anos.
Embora comemore o novo exame genético, o dermatologista Arthur Tykocinski recomenda que o teste não seja feito por adolescentes. “O principal remédio para o tratamento da calvície ainda é o Finasterida, que tem efeito andrógeno (prejudicial à libido). Por isso, é recomendável para depois da maturação completa”, diz. O médico lembra que, além do fator genético, outras causas para a calvície são pesquisadas.