A visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, nesta segunda-feira, causou protestos de alguns parlamentares. Os deputados Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) estenderam uma faixa no Salão Verde da Câmara com os dizeres: "Holocausto nunca mais".
Acompanhando os parlamentares estavam dois sobreviventes do Holocausto, entre eles, Ben Abrahan, 85 anos, natural da Polônia e presidente da Associação dos Sobreviventes do Nazismo no Brasil e vice-presidente da Associação Mundial.
Abrahan disse que passou cinco anos e meio nos campos de concentração nazista e desqualificou Ahmadinejad, que já negou a existência do Holocausto.
"Eu vi câmara de gás trabalhando dia e noite, eu vi chaminés de crematórios jogando fumaça negra com cheiro de carne queimada, e agora vem esse indivíduo dizendo que não houve o Holocausto e ele ainda é recebido como chefe de Estado pelo nosso governo", criticou Ben Abrahan, que é naturalizado brasileiro.
Segundo ele, no período em que esteve em campo nazista, todas as crianças, pessoas inválidas e velhas eram enviadas diretamente para a câmara de gás.
O deputado Itagiba afirmou que a visita de Ahmadinejad é repudiada pela maioria dos parlamentares que defendem os direitos humanos. Ainda de acordo com o parlamentar, mais de 6 milhões de inocentes foram mortos no Holocausto. "A negação que o presidente faz do Holocausto é um insulto e toda provocação deve receber uma resposta que é o repúdio", declarou.
Itagiba é autor de um projeto que criminaliza o Holocausto e aqueles que não o reconhecem.