O paradeiro da estudante Hellen Binotti, 15 anos, preocupa pais e familiares da adolescente. Moradora de um sobrado na Rua Miragaia, no Jardim Ana Maria, em Santo André, a jovem está desaparecida desde a última terça-feira, quando ía para a escola. Os pais acreditam que ela fugiu de casa.
"Na sexta-feira eu fui mexer nas coisas dela, e acabei descobrindo que estavam faltando algumas peças de roupa. Eu queria conversar com ela para saber o que está acontecendo. Nosso relacionamento sempre foi bom, ela nunca me causou problemas", afirmou a mãe da adolescente, a auxiliar de enfermagem Lindamir Silva, 35.
A jovem costumava sair às 6h de casa. Andava cerca de dez minutos até um ponto de ônibus na Rua Cuzco, onde pegava o ônibus para ir até a EE Amaral Wagner, no bairro Bangu, onde estudava, num percurso de 30 minutos. No início da tarde, Hellen fazia o caminho de volta, e entrava às 13h em uma escola particular do bairro, onde trabalhava como recreadora.
Lindamir trabalha junto com a filha. Ao notar que Helen estava atrasada para o expediente, ela começou a se preocupar.
"Naquele dia, ela iria passar no Centro da cidade para recarregar o cartão do passe escolar. Para isso, dei R$ 60 para ela. Ela avisou que iria atrasar alguns minutos. Só que se passaram duas horas do início do expediente, e a minha filha ainda não havia chegado. Tentei ligar no celular dela, mas ele estava desligado. Depois é que fiquei sabendo que ela não foi à escola", ressaltou.
Teorias - Segundo a dona de casa Edna Aparecida de Lima, 45 anos, mãe de Bruno de Lima, de 22, que foi namorado de Hellen durante um ano, o seu filho teria sido abordado pela jovem um dia antes do desaparecimento. "Ele me contou que na segunda-feira a menina apareceu perto de casa, dizendo que iria fugir", disse.
Para a mãe de Hellen, outros fatores devem ter contribuido para o desaparecimento da adolescente.
"Uma semana antes dela desaparecer, pedimos para que ela se afastasse de uma amiga dela que andava em más companhias. Foi a partir daí que ela começou a reclamar que não queria ir mais para a escola. A minha filha é assim: quando faz amizade, fica muito apegada à pessoa", destacou.
Pais aguardam sinal da filha
Para a família, os dias seguintes após o desaparecimento da jovem foram marcados pela aflição e desespero. A mãe de Hellen, a auxiliar de enfermagem Lindamir de Souza, 35 anos, e o padrasto, o ferramenteiro Marcelo Alvarenga, 41, estão desde a quarta-feira sem ir ao trabalho. Eles passaram a dedicar o dia para tentar descobrir o paradeiro da adolescente.
"Já ligamos para parentes no interior do Estado, para amigos e conhecidos, mas ninguém sabe de nada. Eu estou indo para a rua, tentando buscar alguma pista que nos leve a ela. Já mandamos recados no e-mail e no Orkut dela, e vou distribuir cartazes com a foto e informações", destacou Alvarenga.
"A mãe dela tem problemas de pressão, toma remédios, e está passando mal, porque está sem comer e sem dormir. Ela fica ao lado do telefone esperando que a Hellen faça uma ligação", completou.
Em busca de evidências, mãe e padrasto chegaram a requerer o histórico de ligações telefônicas do celular de Hellen.
Lindamir acredita que a jovem estaria receosa em voltar para casa, com medo de ser vítima de represálias.
"Sempre demos tudo para ela, que deve estar com medo, mas precisa voltar. Gostaria que ela soubesse que não vamos castigá-la quando aparecer", ressaltou a mãe, emocionada.