E-mail enviado por uma funcionária da Secretaria de Saúde de Santo André a prefeituras do Estado de São Paulo no final do mês passado expôs um problema grave na cidade: a suposta falta de medicamentos na rede pública. O governo andreense negou a ausência de remédios e informou que abrirá sindicância para apurar o caso.
Segundo mensagem eletrônica assinada por Adriana Coucolis, farmacêutica do Almoxarifado 02, e enviada na tarde do dia 25 de junho a pelo menos 30 municípios, a Prefeitura de Santo André estaria carecendo de dez medicamentos. Entre os quais, Adrenalina (utilizada para estimular o coração nos casos de parada cardíaca a fim de prevenir hemorragias e para dilatar pulmões quando ocorrem ataques de asma aguda) e Omeprazol (para distúrbios gastrointestinais).
A funcionária da Prefeitura pede urgência no envio de medicamentos. Ao final da mensagem, agradece a colaboração antecipadamente e salienta que "assim que dispusermos de estoque estaremos providenciando a devolução".
A solicitação foi encaminhada a uma lista com pouco mais de três dezenas de cidades, incluindo São Paulo, Guarulhos, Osasco, Campinas e as do Grande ABC, independentemente de o município ser governado por partidos adversários do PTB - do prefeito andreense Aidan Ravin - em níveis municipal e até estadual.
A Prefeitura de Suzano, por exemplo, confirmou o recebimento da mensagem e disse que não poderia ajudar Santo André em função da indisponibilidade de estoque. "Não seria possível desabastecer a rede para empréstimo".
A ação foi duramente criticada pela oposição (veja mais abaixo), segundo a qual "falta planejamento do governo".
Resposta - O Paço negou categoricamente a falta de medicamentos na rede. E informou que abrirá sindicância interna, uma vez que a funcionária "não estava autorizada" a fazer tal pedido.
O governo andreense tratou como "praxe" a prática de se pedir o empréstimo de medicamentos entre as secretarias de Saúde do Estado, especialmente "quando há atraso na entrega de remédios ou em licitações". No entanto, afirmou que os pedidos ocorrem "formalmente, e não informalmente por meio de e-mail".
O Diário não conseguiu contato com a funcionária.
Oposição critica ‘falta de planejamento''
A oposição em Santo André reagiu duramente ao pedido de empréstimo de medicamentos feito por uma funcionária da Secretaria de Saúde a cerca de 30 municípios do Estado.
Na opinião do presidente do PT, vereador Tiago Nogueira, o governo "tenta tapar o sol com a peneira" ao dizer que não faltam medicamentos na rede pública. "Percorri pessoalmente alguns prontos atendimentos e constatei o problema. Faltava Benzetacil no PA Central e Dipirona no da Vila Luzita", argumentou.
Para o dirigente petista falta "organização, planejamento e gestão" ao poder público. "O que me estranha é o fato de a Prefeitura gastar dinheirão para pintar pontos de ônibus, passarelas e promover shows e deixar faltar remédio na rede. Então, falta de verba para investir não é. Trata-se de incompetência administrativa ficar com o pires na mão mendigando medicamentos em cidades cuja situação está até pior. Esse e-mail somente reforça o descaso generalizado com a Saúde do município."
Tiago rechaçou que a falta de medicamento possa estar relacionada ao antigo governo petista. "Não vem dizer que é herança, pois estão há sete meses na administração e já tiveram tempo suficiente. Poderiam ter comprado por emergência. Mas preferem expor Santo André ao ridículo."