
As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de São Caetano estão sem medicamentos desde dezembro, quando a Prefeitura encerrou o contrato de fornecimento de remédios com a Home Care - investigada por fraudes em contratos públicos. A falta de medicamentos atinge desde simples analgésicos a antibióticos e remédios de controle da pressão arterial.
Nessa terça-feira, a reportagem do Diário esteve em três UBSs e no Centro Policlínico Gentil Rstom e constatou o problema em todos os locais. Uma lista na porta da farmácia da UBS Dolores Massei, no bairro São José, indicava a falta de remédios como o anti-inflamatório AAS, o antibiótico Amoxil e losartana potássica, utilizado para controle da pressão arterial.
A situação em São Caetano é semelhante à de Mauá, que teve o fornecimento de remédios rompido pela mesma Home Care em agosto, mas por falta de pagamento, o que deixou as UBSs sem abastecimento. A diferença é que São Caetano não tem dificuldades financeiras e mantém uma fábrica de remédios junto com a USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), que diminuiu a produção de medicamentos por estar em recesso escolar e pela falta de material.
Os moradores da cidade que dependem do fornecimento público de medicamentos, porém, dizem que o problema se arrasta há mais tempo. A aposentada Sônia de Oliveira, 59 anos, tenta há três meses adquirir omeprazol no Centro de Saúde Manoel Augusto Pirajá da Silva, no Centro, para tratamento da gastrite. A solução, segundo ela, é comprar na farmácia.
A mesma dificuldade acontece com medicamentos simples. "Não consigo AAS (ácido acetilsalicílico) em nenhum posto. É comum não ter remédios", diz uma dona de casa. Na mesma manhã ela foi ao Centro Policlínico Gentil Rstom, no bairro Nova Gerty, onde não encontrou dilafluz retard, para controle da pressão.
O aposentado Edson Arouca, 58, saiu da UBS Dolores Massei sem losartana potássica. Ele diz que não consegue o remédio há um mês. A dona de casa Adeli Francisca Aureliano, 22, levou a filha de um mês à UBS Michel Glebocki, no bairro Boa Vista, onde não conseguiu Luftal, Ad-til e nistatina.
Em nota, a Prefeitura informou que encerrou contrato com a Home Care em 26 de dezembro, e não renovou. A previsão, segundo a administração, é de que a distribuição seja "normalizada em até uma semana".