O presidente atribui ao próprio PT as dificuldades enfrentadas pela legenda em São Bernardo, que não comanda o município desde 1992, quando chegou ao fim o primeiro mandato de Maurício Soares (ele também venceu em 1996, pelo PSDB e em 2000, pelo PPS). “Temos de ver o acúmulo de erros que nós cometemos em São Bernardo. Começamos a cometer esses erros quando o Dr. Maurício era prefeito, queria indicar o candidato e foi derrotado na convenção. Ele era uma figura muito bem quista no PT e, a partir daí, levou uma parcela significativa de pessoas a se afastar do PT.”
Lula diz que os equívocos do partido também seguiram na eleição de 1996. “Na segunda eleição do Dr. Maurício, quando o PT decidiu apoiá-lo no segundo turno, ele ofereceu ao partido participar do governo e o PT não quis. Aquele negócio absurdo que só o PT pode fazer. Você ajuda a eleger depois não quer participar. Nós colhemos aquilo que plantamos.”
Ele assegura que dificilmente subirá no palanque do prefeiturável petista Luiz Marinho – atual ministro da Previdência –, já que o PSB (que hoje tem Maurício como pré-candidato), apesar de ser adversário no município, é aliado em nível nacional. “Até por uma questão de manter o clima harmônico em Brasília, em todas as cidades que tiver mais que um candidato da base aliada, eu teoricamente não posso ir lá. Ficaria uma situação constrangedora. Quando terminar a eleição, ficaria uma clima de animosidade.”
Mesmo assim, aposta na vitória do ex-presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores). “Todo mundo sabe o que penso do Marinho. Para mim, é a maior surpresa que o movimento sindical produziu nos últimos anos. Conheço poucos com a seriedade dele. Ele é um extraordinário candidato. Marinho tem todas as condições de reconstituir o peso que o PT já teve em São Bernardo e ganhar a eleição.”
Outras cidades - Sobre o fato de o partido hoje comandar apenas duas das sete cidades da região (João Avamileno, de Santo André e José de Filippi Júnior, de Diadema), Lula faz uma ressalva: “Vamos lembrar que Mauá estaria nas mãos do PT se a Justiça não tivesse nos tirado. O Márcio Chaves venceu a eleição em 2004 (após o primeiro turno, teve registro cassado sob acusação de favorecimento eleitoral em evento da Prefeitura. Na época, ele era vice-prefeito).”
Ele ainda rasga elogios a Diadema: “O PT comanda a cidade desde 1982. Quais os candidatos que já existiram na cidade? Filippi, José Augusto (da Silva Ramos, hoje no PSDB) e Gilson Menezes (hoje no PSC, escolhido como vice na chapa de Mário Reali). O PT produziu a oposição e a situação em Diadema. E hoje a cidade ficou extraordinária. Quem conheceu na década de 1970 e vê hoje, foi um passo fantástico”.
Sobre o cenário deste ano, ele diz: “Temos condições de ganhar em Santo André, São Bernardo, Mauá e Diadema. Em Ribeirão Pires não sei se definimos o candidato (a legenda escolheu Mário Nunes). Sempre tivemos dificuldade em São Caetano. Mas agora teremos o (Jayme) Tortorello, com o apoio de toda a família, que nos dá chance de ganhar. Mas o fato é que eleição, na verdade, é uma loteria: ou você ganha ou você perde.”