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Publicado em domingo, 23 de abril de 2017 às 07:02 Histórico

Brincadeira fora do controle

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Participar de jogos é uma busca por diversão e passar tempo para relaxar da correria do dia a dia. Mas parece que nem só de atividades mais lights alguns desafios são feitos. O ditado popular prega que ‘de boas intenções o inferno está cheio’ e o mundo contemporâneo transforma a frase em ‘de boas intenções a internet está cheia’. A liberdade da rede mundial de computadores é capaz de criar alguns monstros, com os adolescentes despontando como os principais alvos de destrutivas ações on-line.

O mais recente capítulo dessa série é o chamado Baleia Azul, game no qual moderadores desconhecidos incentivam os participantes a cumprir lista de 50 etapas. Trata-se de desafios bem estranhos, como passar um dia inteiro sem falar com ninguém ou assistir a filmes de terror e psicodélicos (escolhidos pelos organizadores), e outros mais macabros, entre eles fazer cortes nos braços. O último nível é tirar a própria vida. Tudo é discutido em grupos fechados no Facebook e no WhatsApp, sendo que o público é convidado a participar dessa bizarra ordem.

A origem da brincadeira é desconhecida – sua existência também não é comprovada. O título faz referência a espécie de baleia que, segundo biólogos, não tem tendência suicida, uma vez que seus encalhes nas praias não são propositais. Os primeiros indícios das atividades do jogo ocorreram em 2015, em rede social da Rússia. No ano passado, países europeus tiveram casos parecidos e a ação teria chegado agora ao Brasil. Até o momento, oito Estados, (incluindo São Paulo) têm casos de mutilações e suicídios sob suspeita de envolvimento com o Baleia Azul. As investigações da polícia continuam, com oficiais pedindo para que os envolvidos não temam as ameaças que chegam para quem deseja sair do jogo.

A dinâmica lembra um pouco a trama do filme Nerve: Um Jogo Sem Regras (2016), onde os personagens se envolvem em game on-line com tarefas propostas por quem está assistindo às ações. Os protagonistas vividos por Emma Roberts e Dave Franco acreditam ganhar popularidade e dinheiro na medida em que conseguem realizar o que lhes é pedido, seja beijar um desconhecido ou pilotar uma moto vendado.

DOENÇA DE MILHÕES

O alerta sobre os casos foi dado, porém é preciso ter em mente que o catalisador das complicações que envolvem destruição física e psicológica – e que estimula os ‘jogadores’ – é a depressão. Levantamento feito em 2015 pela Organização Mundial da Saúde revela que 322 milhões de pessoas no mundo (11,5 milhões no Brasil) são afetadas pela doença. Segundo dados do Cetic (Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação), um em cada dez brasileiros com idade entre 11 e 17 anos acessa a internet buscando informações de como se ferir, sem contar o fato de que um em cada 20 adolescentes pesquisa sobre possibilidades de suicídio.

Há iniciativas que tentam fazer com que os afetados possam encontrar apoio. É o caso do Centro de Valorização da Vida (www.cvv.org.br), com voluntários prontos a conversar e ouvir problemas, e da iniciativa Baleia Rosa (www.baleiarosa.com.br), montada a partir de 50 desafios positivos, como doar roupas que não use mais ou passar 24 horas sem usar palavras negativas. Falar sobre os problemas é melhor do que entrar em um jogo com final infeliz. 



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